Sábado, Setembro 22, 2007
Ecce Homo: I confess
O padre Michael Logan (Montgomery Clift) espera um sinal 'divino' enquanto decide (racionalmente) se entrega à policia o assassino que se desvendou em confissão na noite passada ou se assume os seus votos católicos e não entrega o criminoso, mesmo quando é o principal suspeito e quando a integridade moral de Ruth Grandfort (Anne Baxter) poderá ser posta em causa. Lidando com as ambiguidades da sua educação católica Hitch reflecte em I Confess (1953) as divisões (e igualdades) entre a moral terrestre e o julgamento divino, moldado um teimoso actor do método (Clift) para entregar uma representação 'hitchcockiana'.
Domingo, Setembro 16, 2007
No Noise Reduction
Via Gpod
Um documentário de Erik Pauser e Kristian Petri, Tokyo Noise (2002) é uma colecção de testemunho de vários e díspares personagens da cidade unidos pelos efeitos distorcidos que uma das mais fascinantes cidades do mundo gera naqueles que a habitam e visitam. Entende-se claramente que os realizadores não quiseram andar pelos caminhos mais óbvios oferecidos (o da exploração da notável e influente scene noise japonesa), mas oferecer aos seus espectadores uma definição alargada do que é realmente ruído, em todas as suas facetas e sobretudo no que é realmente esse mesmo ruído citadino, uma distorção do que os sentidos podem captar e de como influenciam a 'realidade' humana.
Numa cidade onde a comunicação entre humanos é cada vez menos visível, a informação sensorial (com contornos por vezes 'extra-sensoriais') obtida através de meios artificiais é o que realmente, e simultaneamente, define o 'real' e o molda através do ruído, criando visões por vezes surreais. Tokyo Noise segue esta distorção para mostrar um dos retratos mais interessante e humanos de uma cidade pós-humana, gerada a uma escala onde os humanos são apenas mais um detalhe da paisagem urbana. Imperdível.
Labels:
avantgarde,
Documentários,
japão
Sábado, Setembro 15, 2007
Ecce Homo: The Wrong Man
'Manny' Balestrero (Henry Fonda) olha o crucifixo pregado na parede de casa, tentanto encontrar a última saída para a injusta acusação e extrema humilhação social.
Um dos mais humanos e perturbantes filmes de Hitch, e de resto o mais invulgar, devendo muito mais a um realismo social e grainy de Kazan do que ao espantoso deslumbre visual fetischista, The Wrong Man (1956) é uma espantosa viagem (baseada em factos chocantemente verídicos) ao 'inferno social', onde qualquer cidadão poderá ser mastigado até ao limite da sua dignidade.
Marlene Dietrich ao Serão
A hipnoticamente manipuladora Charlotte Inwood (Dietrich) deixa cair a máscara e explica a sua motivação de actriz (memso na vida real) no célebre monólogo sobre os 'cães' que a redime e a revela como 'a principal da fita', para depois expirar uma longa nuvem de fumo que revela uma das faces mais memoráveis do cinema (Stage Fright, Alfred Hitchcock, 1950)
Stage Fright no Senses of Cinema
Terça-feira, Setembro 11, 2007
Erogrant(1)
Sabendo que a comida e o erotismo estão desde sempre ligados, Hitch entrega na célebre cena do almoço a bordo do 20th Century Limited um dos diálogos mais explicitos que há memória no cinema clássico americano. Mesmo sabendo-se que os lábios de Eve Kendall (Eva Marie Saint) parecem não estar sincronizados com o que realmente os ouvidos ouvem, não é preciso saber 'ler lábios' para entender o que a sensual personagem está a dizer ao 'wrong man' Roger O. Thornhill (Cary Grant), que responde às (mais que) insinuações de 'sexo no combóio já!' com o mesmo nível erótico.
Já para o final do filme, a scene d'amour que fecha o filme (dias mais tarde, no mesmo combóio) é rematada com uma poderosa locomotiva a vapor a entrar no túnel.
(North by Northwest, Alfred Hitchcock, 1959)
Domingo, Setembro 09, 2007
Consumismo de Sábado à Tarde (5)

O susto provocado pela falência e fecho das lojas da Fopp, a cadeia de música e cinema mais amiguinhas dos clientes (e aquela que consegue a melhor selecção de DVDs decentes a preços estupidamente baratos) chegou ao fim com a rápida compra desta cadeia pela rival HMV, que manteve a brand e a maior parte das lojas tal qual como estavam e as abriu novamente a uns clientes agradecidos, que entram naquele espaço de consumo como se estivesse no último reduto de bom gosto cinéfilo, perante as avalanches de lixo mainstream vendido nas outras megastores.
E nada melhor que brindar esta volta com umas valentes comprar como a Hitchcock DVD Collection (sem link directo para a Fopp, fica aqui o da amazon.uk) a um preço tão baixo que é uma tentação até para os mais avarentos.
Esta é um belo complemento a já por aqui comentada Hitchcock 14 Disc Box Set, com Dial M For Murder, I Confess, Stage Fright, The Wrong Man, Strangers On A Train e North By Northwest, com todos os 6 discos recheados com vários extras preciosos.
Uma compra essêncial para os fans do Homem.
Domingo, Setembro 02, 2007
Kathryn Grant ao Serão
Mary Pilant (a infelizmente esquecida Kathryn Grant, aka Kathryn Crosby)começa a dúvidar da integridade moral da vítima de Frederick Manion (Ben Gazzara, numa das cenas de bar mais decisivas para o jogo psicológico que se vai julgado em tribunal no court flick Anatomy of a Murder (Otto Preminger, 1959).
Labels:
anos 50,
cinema,
culto,
DVD,
Gallery of Cool
Mirmidão do Melodrama (3)
Em tantos anos de Cinema não me lembro de ter assistido nunca a um remake que fosse melhor do que original. Não estou a afirmar que tal nunca tenha acontecido, mas a forma magistral como o filme japonês Sekai no Chûshin de, ai o Sakebu (conhecido internacionalmente como "Crying Out Love in the Center of the World", de 2004, não há muito tempo por aqui comentado num post) foi re-filmado por Yun-su Jeon e re-escrito pela actual coqueluche do cinema coreano Jae-young Kwak possui contornos de obra-prima face à confusão melodramática que é o original.
Em Parang-juuibo de 2005 (conhecido internacionalmente como My Girl and I) a dupla de realizador/escritor mandou às urtigas a complexidade narrativa e substituiu as pretenções do original (que geravam alguns momentos melodramáticos que tinham tanto de interessante como de irritante) para conceberem uma das comédias dramáticas (de cariz mainstream) mais interessantes do recente cinema coreano, com pitadas de comédia e melodrama qb e sobretudo a presença de um emocionante cast que torna este filme uma obra facilmente a tornar-se num objecto de culto.
Para os fans de Kwak este é um dos melhores bonus que poderiam receber enquanto esperam pela estreia do bizarro Cyborg Girl (já em pós-produção). De facto, e sem minimizar de forma alguma a realização do 'ainda novato'Yun-su Jeon, este filme encaixa-se perfeitamente no universo do realizador de My Sassy Girl, com os seus pormenores nostálgicos e detalhes cómicos. E a presença de Tae-hyun Cha, novamente a fazer um papel de namorado íntegro e dedicado perante as adversidades, ajuda ainda mais a esta associação.
Um delicado mas firme exercício comercial, My Girl and I é um daqueles filmes essênciais a ver para todos aqueles que têm acompanhado com alguma atenção o actual cinema comercial coreano.
Labels:
cinema,
cinema coreano,
culto
Subscrever:
Mensagens (Atom)







