Terça-feira, Julho 31, 2007

O Fim da Aventura

antonioni

Michelangelo Antonioni: 1912-2007

Segunda-feira, Julho 30, 2007

Apagou-se a Luz no Escuro

ingmar_bergman_dies
Imagem: BBC

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Ainda relacionado:

As big fans of Bergman’s work, we decided to make a tribute site to the films he created and we all love. We want to help people share these works and hope that even though Ingmar is no longer with us more people will experience the films and enjoy them as much as we have.

bergmanbits.com

Sábado, Julho 28, 2007

My Breast Friend

yamaonna

Mesmo vivendo num país onde a média de volume do peito feminino é de um generoso 36D (algo que começa de resto a ser alarmamente notado), consigo de alguma forma entender a motivação para que este mesmo volume corporal seja o assunto central de Yama Onna Kabe Onna, um novo dorama no prime time da Fuji TV. Literalmente traduzido como 'Mulher Montanha(s) e Mulher Parede', o título desta comédia deixa antever desde logo que existem aqui dilemas femininos próprios da mulher cosmopolita japonesa (sexismos à parte), que de resto parecem ser cada vez mais universais, isto para a alegria do público masculino.

Com duas já (algo) reconhecidas caras fora do Japão, Misaki Itoh (nome reconhecível dos fans do dorama Densha Otoko), aqui como uma bem sucedida vendedora (com um perfil algo flat para desgosto desta) numa department store em Ginza que vê a sua lideraça (e sex appeal) ameaçada por Kyoko Fukada (os fans da lolita de Kamikaze Girls têm aqui um jackpot) como a avantajada Mariya Marie (!), idolatrada por tudo o que usa calças nesta série, tentando as duas personagens manter uma amizade a sério e para lá do local de trabalho, mesmo perante tais diferenças físicas e das obsessões dos colegas masculinos perante tais atributos físicos.

Para lá de todas as piadas 'corporais' e as visões 'exploitativas' próprias de um dorama cómico mainstream destas características, e sobretudo da 'objectivação' do corpo feminino, Yama Onna Kabe Onna consegue manter um certo nível de interesse cómico, mostrando de uma forma única as relações profissionais no local de trabalho entre os dois sexos num Japão que, embora cada vez mais 'ocidentalizado', mantém ainda uma cultura profissional bastante rígida e única, algo que de resto consegue criar algumas das situações cómicas perto do hilariante.

Para lá deste tipo de humor comercialmente apelativo para muitos espectadores, e sobretudo para lá do gigantesco product placement que esta série contém (foi filmada no conhecido Mitsukoshi de Ginza), Yama Onna Kabe Onna é uma daquelas séries de humor que vive, de forma descomprometida, da constante guerra dos sexos e das ambiguidades consumistas do dia-a-dia que aparentemente não damos importância, mas que podem ter consequências, a que de resto este dorama não foge. E mesmo quando algumas cenas começam a descambar para o voyeurismo sexista, o cast rico em caras conhecidas da comédia de televisão japonesa consegue equilibrar as 'contas', gerando decerto um agrado simultaneo para 'o menino e para a menina', algo nem sempre conseguido por produtos de entertenimento deste tipo.

Sendo claramente uma série que passará despercebida a todos aqueles que gostam de dorama cómico mais 'cerebral' ou menos apoiado em humor corporal, esta é uma das séries de verão que os fans (sobretudo masculinos) das duas actrizes não deverão perder, e decerto que será um entertenimento ligeiro para os fans de dorama em geral, sem grandes consequências narrativas mas com algum interesse nas situações cómicas.

Quarta-feira, Julho 18, 2007

Fruta da Época: Lucky Star

luckystar

Depois de bem sucedida e famosa The Melancholy of Haruhi Suzumiya a Kyoto Animation volta à carga para revelar as mais divertidas nuances do universo otaku, encarnado no dia-a-dia de um grupo de colegiais que discutem os seus dilemas do quotidiano de uma forma desconcertamente estranha.

Lucky Star é, tal como Haruhi Suzumiya ou Pani Poni Dash! , uma paródia aos universos da cultura popular japonesa desta tribo anti-social, fazendo uma crítica (positiva) deconcertante às manias, fixações e comportamentos do público específico deste tipo de séries, sendo talvez por isso, para os 'outsiders', uma série difícil de seguir.

A forma divertida como a crew desta série constroi os episódios, parecendo mais realizados para o gozo pessoal e a auto-paródia, é absolutamente fabulosa, com diálogos sobre os mais disparatados assuntos do quotidiano, as visitas da personagem principal às lojas de culto (Konata Izumi, um alter-ego de qualquer otaku personificado numa adolescente) ou a tipificação das personagens-tipo deste universo pop a ganharem uma importância central na série, relegando qualquer tipo de narrativa para um segundo plano.

Entendo perfeitamente que a estrutura desta série deixe muito do actual público consumidor de anime completamente entediado, não tendo aqui qualquer história a seguir e ficando apenas a assistir a pequenos sketches que parecem ter sido feitos para tiras de comics em versão curta, mas a forma como esta série toca em poucos centrais da 'otakulandia' deixa-me prever que esta será a série de eleição para muitos dos fans otakus de anime, que parecem ter aqui encontrado uma 'voz amiga' na actual animação para televisão made in Japan.

Duelos Sonoros

electricdragonOST

Entre as camadas de brutalidade electrica da guitarras e as visões electrónicas frias:
a banda sonora de Electric Dragon 80000V (2001), uma das obras primas punk de Sogo Ishii, composta por Onogawa Hiroyuki e tocada pelo projecto MACH 1.67 (que ambos Ishii e Hiroyuki fundaram)...

Se o filme se contrói através da dualidade de Dragon Eye Morrison e Thunderbolt Buddha (duas figuras que são a dualidade entre o rock e techno em que este realizador se encontra em cada filme), a banda sonora acompanha esta dualidade, dando aos dois super-heróis mais espectaculares do recente cinema nipónico um background sonoro ao mesmo nível, acompanhando o duelo destes dois seres de uma forma absoluta.
Electrificantemente recomendada!

Consumismo de Sábado à Tarde (4)


Para lá de alguns 'repetidos' e a inclusão do último filme do mestre (pessoalmente acho que é francamente dispensável) a Hitchcock 14 Disc Box Set, comprada por um preço absurdamente baixo, traz uma belissima colecção de momentos variados de Hitch.

Rapidamente deglutida, fica a sensação de que, embora existam no mercado melhores (e bem mais caras) caixas com o 'best of' de Hitchcock, esta é ideal para aqueles que não se queiram ficar pelos clássicos mais sonantes do realizador. Incluidos estão, por exemplo, o excelente Frenzy (a volta do realizador ao solo britânico para realizar um dos filmes mais frescos dos anos 70) uma das grandes surpresas desta caixa, a estranha comédia Trouble with Harry (a primeira parceria com Herrmann e a revelação de Shirley MacLane) ou a análise da guerra fria, entre NY e Cuba, do magnífico spy flick Topaz (a volta de Hitch a uma certa 'frugalidade' de casting, depois dos maus momentos passados durante Torn Curtain, também incluido nesta caixa). Recomendado.

Sábado, Julho 14, 2007

IconoEspasmos: La Montaña Sagrada

montanhasagrada

I ask of cinema what most North Americans ask of psychedelic drugs.
Alexandro Jodorowsky


Volta-se a escrever sobre Jodorowsky por aqui, para saudar as recentes edições das 3 primeiras obras de um dos realizadores de culto mais controverso da segunda metade do século XX, assinalando-se a reprise (em DVD e no 'grande ecrã') de El Topo aqui pelo RU, e a edição essencial à 2 meses atrás de um DVD Pack (por enquanto apenas disponível em região 1) contendo Fando y Lis, El Topo e The Holy Mountain (La Montaña Sagrada). Este último é talvez o mais importante e significativo (e um dos mais desconhecidos também) filmes psicadélicos da história do cinema não-comercial, aquele que resgata todo o sentido do original 'movimento' (se é que esta palavra possa ser empregue aqui), despindo-o de toda a superficialidade que as imagens 'ocas' e o uso de substâncias alucinantes do cinema 'hippie' deram a esta palavra.

É sempre inútil (e fútil) descrever o cinema de Alexandro Jodorowsky. Tal como qualquer um dos outros dois filmes deste magnífico pacote, La Montaña Sagrada é belo e feio, pretencioso e inocente, revolucionariamente revelador e profundamente original mas sempre repescando momentos algo 'reconhecíveis' na 'história das imagens'. E é tudo isto sempre ao mesmo tempo, acrescentando-se um fundo também moralista (!) na obra deste autor. Mas o que se pode decerto acrescentar aqui é a forma quase linear e perceptível (ou 'understandable', para dar um verdadeiro sentido) como Jodorowsky narra o seu conto místico de contornos 'educativos' sobre um ladrão iconoclasta que é iniciado na purificação da alma por um mestre alquimista, para se tornar um dos 9 seres perfeitos da Montanha Mágica.

Talvez esta (muito curta e linear) descrição gere logo na cabeça de muitas pessoas que estamos perante mais um 'daqueles' produtos místicos típicos do cinema psicadélico dos 60s e 70s, mas Jodorowsky não consegue cair em tais clichés, zombando de todos essas características (muito utilizadas sobretudo no cinema americano e, em menor escala e por 'imitação' em algum cinema britânico da época) durante esta obra-prima, bebendo a sua inspiração directamente na(s) raiz(es) do(s) misticismo(s), dando-nos um dos documentos metafísicos mais pujantes, belos e poéticos que alguma vez o cinema da segunda metade do século XX conseguiu mostrar.

Claro que, como quase toda a obra de Jodorowsky, este é também um filme repleto de momentos 'horríveis' e cheio de fascínio pelo grotesto e indesejável, tentando marcar através de metáforas surreais a verdadeira realidade do que critíca, que possui em sí mesma também essas qualidades distorcidas e atrozes. Mas ao contrário do que muitas vezes acontece no cinema (verdadeiramente) independente, aqui não existem momentos de violência (visual) gratuita, mas apenas relatos poéticos do feio como metáfora do real, distanciando-se assim de qualquer elementos 'exploitativo', normalmente gerado neste tipo de cinema devido a um fascínio quase traquinas de mostrar o desagradável para chocar sensibilidades mainstream, algo que de resto, embora paradoxal, é também uma das marcas de alguns autores desse tipo de cinema ('quem desdenha quer comprar'...). E mesmo alguns momentos que aparentemente parecem datados de alguma forma, são de resto 'universalmente permanentes' (e ainda igualmente horríveis), tornando esta obra ainda (de certa forma) actual.

Embora por vezes alguns momentos pareçam cair em certos desses clichés (que de resto este realizador ajudou a criar), La Montaña Sagrada não possui falsos momentos contemplativos na sua integridade simbólica (por vezes suspeita) própria de uma revelação religiosa. Mas Jodorowsky avisa (directamente) o espectador que esta experiência que será uma amostra do seu 'Profundo Real' não está nesta obra (um filme como indica, revelando a sua crew de filmagem) mas no que o espectador queira alcançar através da sua própria metamorfose.

E mesmo que alguém (ainda) ache que este realizador/escritor/mistico não passa de um pretencioso imitador de alguns dos mestres máximos do avantgarde, a forma visualmente rica e original como Jodorowsky contrói a sua 'Montanha Sagrada', mostrando-nos em quase duas horas de filme uma construcção metafísica do seu mundo de contrastes, vale desde logo uma sólida e respeitosa visão, permitindo rever ou descobrir algumas das imagens mais interessantes, que ainda hoje encontram ecos na cultura visual do início do século XXI.


Ler IconoEspasmos(1)

Ode a Um Encontro nas Férias Curtas

thaumatrope


se alguém espreitava recolhíamos às tocas
ficávamos a rir, expectantes
ainda ninguém nos tinha ensinado nada
da bruma que em novembro abraça os salgueiros
e tinge de uma humidade sépia a filigrana dos ninhos
(...)

Peixes, Alexandre Sarrazola
in Thaumatrope

AVERNO 015:
Alexandre Sarrazola, Thaumatrope, 64 pp., 10 euros
(Tiragem Única de 350 exemplares)
Capa de Daniela Gomes. Paginação e arranjo gráfico de Olímpio Ferreira.


ed.averno@gmail.com

B(r)it Ab(r)oad

hitchvanishes
Iris Matilda Henderson (a belissima Margaret Lockwood), algures num comboio da Europa Central, tenta neutralizar a navalha de um vilão. Um dos (muitos) momentos feudianos em The Lady Vanishes, Alfred Hitchcock (1938).

Retornos

meta01
Vertigo, Alfred Hitchcock (1958)


meta2
Twelve Monkeys, Terry Gilliam (1995)

Gilliam apresenta a relação entre Kathryn Railly (Madeleine Stowe) e James Cole (Bruce Willis) usando a 'cena do retorno' com o tema de Bernard Herrmann com ("The Return ...").

Domingo, Julho 08, 2007

Tales From the Cave

onemillionyearsbc

É decerto sabido o interesse que desde sempre o cinema exploitation votou aos tempos 'pré-históricos', com as suas inreais fábulas de relações humanas e hábitos 'primitivos' dos nossos antepassados, mostrando com abundância de pormenores 'documentais' o que seria a humanidade (risos!!) milénios atrás. Se o cinema B americano está cheio de exemplos cinematográficos (como este ou este), os estúdios europeus nunca ficaram atrás neste interesse e por vezes inovaram este particular sub-género com pormenores que decerto fariam inveja aos criativos do outro lado do Atlântico. One Million Years B.C. (1966) é um desses filmes, atirando o género para um 'realismo' a roçar o cruel e acrescentando à receita vários condimentos que são agora lugar comuns quando os teóricos reflectem sobre este tipo de cinema.

Talvez a produção da Hammer mais bem sucedida nas bilheteiras, este é o ultimate Cave film de sempre, com a inclusão de estreantes femininas que se tornariam após este pedaço bizarro de celluloid conhecidas como sex symbols cinematográficos eternos (Raquel Welch claro, e num plano inferior Martine '007' Beswick), vestidas em bikinis feito com a pele de qualquer (pequeno) felino a envolverem-se em catfights, soberbas e inventivas lutas entre dinosauros (pois!!), cortesia do génio de Ray Harryhausen.

Mas parecendo ser fácil apontar tantos erros a um filme destes, One Million Years B.C. é bem melhor e mais interessante do que os seus semelhantes, com inventivas inclusões de um certo tipo de 'crueldade antropológica', que seria usada até aos limites da náusea a partir do final dos anos 60, e sobretudo um realismo de objectos e de 'pelo facial' masculino até então pouco utilizado, talvez devido aos gostos do público até à década de 60 serem algo aversos a tais 'primitivismos'. Para além da real qualidade 'documental' deste soberbo objecto de culto, fica a idea que, mesmo após 40 anos, este peculiar filme ganhou o seu merecido lugar na cultura popular, gerando inúmeras imitações e abrindo caminho para o realismo de obras como La Guerre du feu.

Eerie Delights (2)

usher1

O simbolismo da loucura: Um dos tesouros do cinema mudo, The Fall of the House of Usher (USA, 1928) dos pioneiros do avantgarde americano James Sibley Watson e Melville Webber, continua ainda hoje a gerar o espanto pela sua ousadia gráfica, tal como outros filmes do duo já por aqui passados, pela forma marcante como este aglomerado de avantgarde de contornos europeus (que até à pouco tempo era considerado apenas um mero pastiche) consegue traduzir ideias visuais que ainda hoje estão presentes na geração pós-MTV.

Eerie Delights (1)

usher2

Completa ausência de tempo, espaço e do real. A adaptação do conto de Poe por Buñuel para a realização de Jean Epstein, um dos mestres do cinema europeu: La Chute de la maison Usher (FR 1928).

Sábado, Julho 07, 2007

Get! Go! Go!

Go!GO!7188

Parade, o mais recente album dos Go!GO!7188 mostra como, em 7 anos, umas das mais promissoras bandas indie nipónicas dos últimos anos consegue chegar à maturidade de uma forma tão interessante, inovadora e criativa. 11 faixas perfeitas, onde um energético power pop de contornos quase épicos se combina com o song writing imaculado (como já não ouvia à vários anos).

Batida energética, um baixo solto pelas composições, guitarras inventivas que constrõem estruturas pop e rock sem nunca cairem em clichés e a voz de Yuu, a oscilar entre o lânguido e o poderoso (por vezes virtuosa). Basta ouvir "Kinkyori Renai" (o primeiro single) ou "Ska" para gerar um arrepio na espinha e uma adicção sonora grave, com consequências quase fatais (basta ler este post quase sem sentido gramatical!).

Sexta-feira, Julho 06, 2007

Uncommon People

grassGreener

Enquanto a classe media americana do pós-guerra procurava no exotismo de 'plástico' um refúgio da normalidade dos subúrbios carregados de popluxe, aderindo às visões e audições da estética exótica, com os 'nativos' (e principalmente 'nativas') de culturas diferentes e com nomes estrnhos se passeavam em selvas de polyester plantadas no 'fundo do quintal' de qualquer estúdio de cinema, as 'súbitas' classes altas procuravam um possível pedigree nos primos afastados da ilha britânica.

Um dos múltiplos exemplos disso é The Grass Is Greener (1960), uma estranha comédia romântica com contornos caústicos que mostra um casal de puros aristocratas ingleses (um aqui pouco convincente Cary Grant e uma sempre posh Deborah Kerr) que vêem o seu casamento ameaçado pela visita de um turista magnata do Texas (Robert Mitchum), que pretende muito mais do que tirar retratos, levar como souvenir para casa um membro (do sexo feminino) da aristocracia para casa. Para compor o cenário, uma amiga do casal (Jean Simmons, que tem uma especial fixação pelo membro masculino da parelha) 'acampa' no palácio da familia, para tentar recolher as possíveis sobras do que restar do casamento.

Nos seus mais de 100 minutos, The Grass Is Greener é quase um bizarro estudo sobre como os americanos vêem os europeus, enlaçando uma história decalcada de qualquer peça rococo de intriga de palácio com uma vontade incrível de provar que na sedução somos todos iguais. Mas a coisa cai mal quando os sentimentos são retradados de uma forma tão simplista, ousando-se quase pensar que entre este filme e qualquer documento de um certo tipo de cinema pornográfico que tente contar uma história entre as cenas de sexo até à orgia final, poucas são as diferenças narrativas.

Mesmo dizendo isto, existe aqui algo que é uma possível génese do que viria a ser o estilo inconfundível de Stanley Donen (o realizador deste filme), que ficará para a história do cinema americano através do magnífico thriller chick Charade (e de outros objectos bizarros que são excrecências deste, como Arabesque ou Bedazzled), o que por si mesmo torna este The Grass Is Greener um objecto interessante para uma visão de fim de semana.

Mirmidão do Melodrama (2)

christmasaugust


Se a proposta do post anterior possui contornos assumidamente arty, com a sua nostálgica e contemplativa história de amor, já o filme coreano Palwolui Christmas (aka Christmas in August de 1998), possui uma candura melodramática que faz deste filme de Jin-ho Hur (já comparado a Wong Kar Wai devido ao seu mais recente filme, April Snow) um magnífico e profundo estudo sobre uma possível relação amorosa que sabemos desde o início do filme que está condenada a não ser concretizada (pelo menos fisicamente) devido à morte quase certa da personagem masculina.

A forma descomprometida como Jin-ho Hur nos conta esta melancólica mas sempre positiva hstória (muito por 'culpa' do magnífico actor Suk-kyu Han, que embeleza os últimos dias da sua personagem com um belissimo e verdadeiro sorriso) é surpreendentemente atraente e adictiva, tornando este aparentemente singelo filme, num quase manifesto da perfeição pelo 'cinema simples', tornando o seu estilo melodramático válido sem ponta de remorso, mas simultaneamente não se rendendo ao óbvio.

Mirmidão do Melodrama (1)

cryingoutlove

Depois de ter filmado uma 'Neve de Primavera', o primeiro dos 4 livros da série 'O Mar da Fertilidade' de Mishima em 2005, Isao Yukisada tornou-se um nome com algum peso fora do Japão, talvez por culpa do culto que o controverso escritor tem ainda no ocidente.

Tentando perceber o que é que este recente realizador nipónico faz, arrisquei pelo seu anterior multi-premiado filme, Sekai no Chûshin de, ai o Sakebu (conhecido internacionalmente como "Crying Out Love in the Center of the World", de 2004), sabendo desde logo que também este filme, filmado um anos antes da obra que lhe deu visibilidade, tem também já um certo culto junto dos amantes do melodramas adolescentes.

**spoilers**

O história de "Crying Out Love..." é relativamente clara: uma love story nostálgica e como já há muito não se via, onde a morte separa um casal aparentemente feliz para sempre. Com uma fotografia soberba, subtilezas narrativas de contornos contemplativos, por vezes recorrendo a clichés e a uma melosa banda sonora (tão ao gosto de um certo tipo de cinema europeu que fez as listas de blockbusters europeus nos idos 70s), este é um filme que oscila entre o esteticamente perfeito e o melodrama demasiado óbvio.

Se na sua quase totalidade o filme de Yukisada consegue contar uma história trágica perfeita, derrapando poucas vezes no sentimentalismo, são os seus últimos 20 minutos, já depois da morte de Aki Hirose (Masami Nagasawa, uma recente estrela feminina em grande destaque sobretudo nos dorama) que dão a este filme um claro sentimento de melodrama quase a roçar o vulgar, tentando rematar um filme que poderia ser um dos mais perfeitos melodramas nipónicos dos últimos anos, com truques fáceis que desapertam os nós narrativos até então construidos, de uma forma facil e quase inocente.

Mesmo dizendo isto, este é o veículo perfeito para uma série de actores e actrizes muito ligados ao dorama (Nagasawa, Takao Osawa ou Kou Shibasaki) e claramente com grande interesse para os fans deste tipo de séries orientais e para aqueles que não resistam a duas horas de interessante e bem executado melodrama slice of life japonês.

Cash Out

5minutes

Agora que o animos acalmaram no mainstream em volta do culto súbito que Johnny Cash, parece ser útil redescobrir este estranho politicamente incorrecto veículo cinematográfico que é Five Minutes to Live (aka Door-to-Door Maniac) de 1961, sabendo que este dará a qualquer desprevenido desconhecedor uma das imagens mais nefastas da lenda.

Um B cheio de sleaze, este filme está cheio de momentos recheados de machismo e abuso a roçar o sexploitation, com Cash a representar o papel de um perdido psycho-killer envolvido num peculiar assalto que envolve manter refêm a mulher de um director de um pequeno banco numa qualquer pequena cidade de interior. E se os momentos de tensão conseguem ser interessantes, este filme não consegue de forma alguma criar uma história credível (talvez pelo seu exagero e fundo algo moralista, características base de qualquer exploitation), sendo muito mais um estranho conto sobre como, mesmo de uma forma estranhamente comportada, os valores da próspera classe media americana pós-guerra tem sempre que ser mostrados de forma triunfante face à libertinagem dos outlaws.

Apenas recomendado a adeptos do sleaze vintage no cinema B americano e a fans 'a sério' de Cash.

Five minutes to live tem actualmente estatuto creative commons e está disponível no espantoso Internet Archive .