Sábado, Junho 30, 2007
Carmen Maura ao Serão(2)
A obra-prima do período 'Maura', Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios (1988) é uma das obras mais revisitadas de sempre aqui por casa, sempre pelas razões mais estranhas, muito por culpa de ser o Almodóvar mais definitivo dos anos 80 e uma das comédias pós-modernas mais brilhantes do cinema europeu dos anos 80. Desta vez, a razão terá sido (possivelmente) a sensação de remorsos de não ter o incluido nesta lista.
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Carmen Maura ao Serão(1)
A celebração exuberante do camp numa cidade ainda dividida entre as lembranças do franquismo e a movida madrilena: Pepi, Luci, Bom y Otras Chicas del Montón (1980).
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Sexta-feira, Junho 29, 2007
Happy Birthday, Thank You Very Much!
Ray Harryhausen, um 'amigo' de infância, faz hoje 87 anos, dos quais mais de 60 entregou (a tempo inteiro) a materializar alguns dos momentos mais extraordinários e memoráveis do cinema dito 'Fantástico', uma palavra que acenta muito bem neste post. Um dos nomes mais influentes de toda a história do Cinema (a lista é realmente, sem qualquer exagero, muito longa), Ray é uma das personagens mais absolutas da cultura popular pós-segunda guerra, marcando o imaginário de várias gerações, mesmo aquelas que (como actualmente) podem ter o privilégio de ver a estreiar nos cinemas todos os meses, sofisticados filmes de animação em e efeitos especiais em CGI.
Revi (por acaso) uma das obras-primas do maestro da stop motion à poucos dias atrás (refiro-me claro a Jason and the Argonauts de 1963, numa excelente transposição para DVD, com apetitosos extras), para reencontrar algumas das imagens mais especiais que me recordo de uma infância passada a ver Cinema. Como qualquer cinéfilo sabe, este exigente hobby está sempre repleto de imagens inesquecíveis que nos moldam as 'escolhas visuais' do quotidiano, e que nos deixam o cérebro atafulhado de obras favoritas que quase sempre o são sem explicação. O trabalho incansável, metódico e laborioso que Ray produziu, quer com low budgets, quer em super produções, faz parte dessas escolhas pessoais, nem sempre lembradas, mas sempre presentes, ao ponto de não me conseguir lembrar de um único nome de um realizador dos filmes onde Harryhausen trabalhou, mas saber quase de cor todos os filmes onde deixou uma marca através dos seus efeitos especiais.
Em jeito de celebração, fica a sugestão de redescobrir (o descobrir, sabe-se-lá) um dos maiores génios dos FX do cinema americano.
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Quarta-feira, Junho 27, 2007
Balbúrdia na Sala Escura(2)
Uma recente revisão da obra mais conhecida de Joe Dante deixou-me perplexo com a forma bizarra com que um dos realizadores dos 'burbs cinematográficos dos 80s trata a sua nostalgia pelo cinema infanto-juvenil, ao fazer um sarcástico comentário visual de sentido-duplo durante uma das cenas mais marcantes de toda as suas obras.
Numa caótica sala de cinema, um batalhão de demoníacos Mogwai (mais conhecidos na cultura popular como Gremlins) assiste de forma encantada e quase comoventemente destruidora à exibição de Branca de Neve e os Sete Anões ('They're watching Snow White. And they love it'), identificando-se como faria qualquer espectador com as 7 personagens do filme da Disney, lembrando-se talvez que originalmente foram gerados seis mogwai 'malignos' de Gizmo, o Gremlin 'primordial'. O real espectador, que vê o 'filme através do filme' rodeado de pavorosos seres, consegue aqui entender que o espírito benovolente do filme deixa de fazer qualquer sentido, para revelar toda a perversão inerente ao conto original dos irmãos Grimm.
Numa caótica sala de cinema, um batalhão de demoníacos Mogwai (mais conhecidos na cultura popular como Gremlins) assiste de forma encantada e quase comoventemente destruidora à exibição de Branca de Neve e os Sete Anões ('They're watching Snow White. And they love it'), identificando-se como faria qualquer espectador com as 7 personagens do filme da Disney, lembrando-se talvez que originalmente foram gerados seis mogwai 'malignos' de Gizmo, o Gremlin 'primordial'. O real espectador, que vê o 'filme através do filme' rodeado de pavorosos seres, consegue aqui entender que o espírito benovolente do filme deixa de fazer qualquer sentido, para revelar toda a perversão inerente ao conto original dos irmãos Grimm.
Balbúrdia na Sala Escura(1)
Uma singela mas simultaneamente 'aguda' visão sobre o 'outro lado do cinema' (o do lado do exibidor que leva o 'produto' ao público), The Smallest Show on Earth (1957) está repleto de pequeninos momentos do surreal quotidiano dos trabalhadores de um flea pit dos anos 40 (o termo em português é 'cinema do piolho') algures numa qualquer provinciana pequena cidade inglesa.
Numa das cenas mais divertidas do filme (uma cena de 'filme dentro do filme'), e devido à péssima 'situação urbana' da sala de cinema (mesmo ao lado de uma ponte ferroviária que quase toca o telhado do edificio), os costumeiros mal-comportados espectadores assistem ao assalto a um trem num qualquer western B, sentindo 'realmente' toda a acção em todo o edificio, que trepida violentamente com a passagem de um combóio 'real', gerando uma 'interactividade cinematográfica' com consequências hilariantes.
Jean and Bill are a struggling married couple with Bill trying to scrape a living as a writer. Out of the blue they receive a telegram informing them that Bill's long-lost uncle has died and left them his business - a cinema in the town of Sloughborough. They pack their bags and travel to Sloughborough expecting to sell the cinema to gain a huge inheritance, however, they discover the cinema is falling apart and is run by a comically incompetant staff who seem to have worked there forever. They set out with a plan to sell it but things don't quite go to plan. (IMDB)
The Smallest Show on Earth tem actualmente estatuto creative commons e está disponível no espantoso Internet Archive .
Conservas com Lata
A julgar pela qualidade da imagem (e do press release que a acompanhava) aqueles que assistiram a qualquer (ou ambos) dos espectáculos desta magnífica 'Corações de Atum Tejo Tour', foram brindados com temas retirados de um dos albuns mais especiais (e mais esquecidos) da recente música feita em Portugal.
Alguém que poste uns comentários sobre estes concertos terá a minha gratidão...
CORAÇÕES DE ATUM TEJO TOUR JUNHO 2007
manuel joão vieira . nuno ferreira . joão custódio . marco franco . rui caetano
DIA 23 MAXIME – LISBOA. DIA 29 INCRÍVEL CLUB - ALMADA
Domingo, Junho 24, 2007
O Cinema Rápido
Um delírio tech e (sobretudo) uma espantosa viagem pelo cinema clássico: Fast Film de Virgil Wildrich. Imperdível
A kiss, a happy couple. The woman is kidnapped, the man comes to her rescue, but during their escape they find themselves in the enemy secred headquarters. This classic plot conceals an hommage to action movies. In 14 minutes, Fast Film provides a tour de force through film history, from its silent beginnings to present-day Hollywood.
Virgil Wildrich.
A kiss, a happy couple. The woman is kidnapped, the man comes to her rescue, but during their escape they find themselves in the enemy secred headquarters. This classic plot conceals an hommage to action movies. In 14 minutes, Fast Film provides a tour de force through film history, from its silent beginnings to present-day Hollywood.
Virgil Wildrich.
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Domingo, Junho 17, 2007
Selecção de Esperanças
imagem: Red Bull Music Academy
Confesso que, talvez por estar a já algum tempo fora de Portugal, cada vez tenho menos a ideia do que está a acontecer no panorama musical português. Se recentes visitas ao rectangulo à beira mar plantado me permitiram constatar que, sobretudo o Rock português, está enterrado nos seus maneirismos, onde quer o inglês mal amanhado e rísivel, quer a já eterna imitação dos seminais (e geniais) Ornatos Violeta pontuam simultaneamente o actual mercado discográfico e aquelas bandas cheias de wannabes quase sempre medíocres que sabem que irão encher as tabelas no Top+ porque soam iguais a qualquer banda 'morangos com açucar' que esteja agora na baila.
Mas uma visita recente e infelizmente muito curta deste senhor a Nottingham trouxe boas novas para o meu cepticismo em relação à actual cena musical portuguesa. Na bagagem vinham alguns dos exemplos mais interessantes do actual panorama hip-hop, kuduro e outros sons de fusão com centro no português cantado, 'sons (ainda) de franja' que não devem nada à actual estagnação e revivalismos em que Portugal está mergulhado actualmente.
No fim de semana passado, aquando umas curtas férias no Algarve, constatei com o espantoso momento que a 'nova' música portuguesa atravessa, ao adiar por umas horas uns mergulhos na praia para ficar a assistir na RTP1 ao espantoso documento que é Lusofonia, a (R)evolução, um espantoso documentário produzido pelo 'núcleo português' da Red Bull Music Academy o ano passado, que mostra, num estilo entre a 'propaganda salutar e entusiasmada' e o rigoroso trabalho de pesquisa, as evoluções músicais da lusofonia até aos dias de hoje, documentando férteis e inovadores projectos músicais portugueses que, sem qualquer dúvida, não ficam atrás de quaisquer das tendências actuais a serem ouvidas em qualquer hub city do planeta. 'Lusofonia...' e um documento impar em vários aspectos, sobretudo devido ao seu carácter pioneiro (estranhamente nunca existiu vontade de fazer algo assim antes) e à sua abrangência de opiniões que permitem não só apresentar as evoluções e condicionalismo culturais, como mostrar alguns dos 'exemplos concretos' do que significa actualmente o termo 'música moderna portuguesa'.
Numa época em que a silly season parece já não acontecer apenas no Verão e que as celebrações do 10 de Junho, voltam (como sempre) a invocar as normais ideias que apelam ao saudosismo e até a um certo conformismo cinzento, este documentário é um 'encher de alma' que vem mostrar o que de verdadeiramente positivo, novo e até inédito Portugal pode oferecer à cultura popular mundial, mostrando que fenómenos músicais trendy mais recentes não se esgotam nas (pouco originais, na minha modesta opinião) CSS ou nos Bonde do Role.
Mesmo sabendo como é 'pequenina' a indústria musical portuguesa (e aqui refiro-me a um estado mental e não à sua verdadeira dimensão, que tem amplo espaço de crescimento não aproveitado), este é o tempo de começar a dar recursos e criar oportunidades para estes projectos de crescerem e poderem ser finalmente conhecidos quer internamente quer nos veriados mercados externos. E cabe sobretudo aos principais intervenientes, os músicos, o esforço de não se encaixarem no pensamento 'pequenino' e tentarem fazer deste momento actual um dos mais especiais que a música portuguesa alguma vez conheceu, quer localmente, quer no mercados externos. Exportação já!
Links úteis:
Página oficial da Red Bull Music Academy
Lusofonia, A (R)evolução no youtube
Página no Myspace
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Quinta-feira, Junho 14, 2007
Livros das Férias (3)
Sendo uma das filmografias mais ricas e interessantes do actual panorama cinematográfico, o actual cinema coreano tem vindo a ter um cada vez maior relevo académico a 'ocidente', com vários entusiastas a servir de porta-bandeira na divulgação desta filmografia, como a já grande referencia que é Darcy Paquet.
Chi-Yun Shin e Julian Stringer (ambos professores de Film Studies das Universidade de Sheffield e de Nottingham, respectivamente) editaram à pouco mais de ano e meio New Korean Cinema, um conjunto de essays que pretendem dar uma visão global do actual cinema das Coreias (com particular evidência para a Coreia do Sul).
Uma completa viagem ao universo do cinema coreano, este livro retrata através de completos estudos académicos (onde figura também a contribuição de Paquet) não só os condicionalismos históricos de uma indústria que era praticamente inexistente à 15 anos atrás e que actualmente é a 3ª maior a nível mundial, os seus principais éxitos de bilheteira e os criadores mais influentes, mas também as mais centrais questões de identidade e variação cinematográfica do cinema da região, sempre visto pelos espectadores ocidentais sobre um prisma distorcido por clichés que não são de todo correctos.
Este é não só um valioso guia completo para aqueles com interesse em começarem a descobrir o actual cinema da Coreia, mas também para os conhecedores que ainda não tenham assimilado algumas das variações temáticas e nuances culturais do cinema deste país.
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Livros das Férias (2)

Mais do que uma obra generalista para leigos, Dada Turns Red: The politics of Surrealism de Helena Lewis (originalmente editado em 1988 pela Edinburg University Press) é sobretudo um inventário dos anos posteriores ao Manifesto Surrealista, quando este movimento se encontrava estagnado entre os actos de provocação gratuita e as idealistas e naif propostas politicas dos seus membros.
Embora de uma forma por vezes algo maçuda, Lewis descreve as constantes lutas internas entre aderentes ao Partido Comunista Françês e aqueles que se mantiveram íntegros (quando possível) aos ideais mais 'anarquicos' do Dada e posterior Surrealismo, vistos como imaturos pelos membros e activos simpatizantes desse partido.
Como um movimento sempre vangloriado na história (não só 'cultural'), este 'Dada Turns Red' apresenta de forma pertinente um dos mais ambíguos períodos culturais do século XX, e será apenas interessante apenas para aqueles que querem mergulhar um pouco mais nos 'bastidores teóricos' deste periodo.
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política
Livros das Férias (1)

Mas existem, como sempre existirão, aqueles cineastas que nunca conseguiram ser completamente digeridos pelo mainstream ou que, embora por vezes apoiados por figuras ligadas a esses mesmos estudios, conseguem 'morder as mãos' à profunda e chata massificação cultural que se tornou o actual cinema.
Underground U.S.A.: Filmmaking Beyond the Hollywood Canon (de 2002) é uma singela colecção de essays editados por Xavier Mendik e Steven J. Schneider que revela alguns dos nomes e filmes que estiveram ou estão nas margens do actual cinema americano, revelando reflecções académicas de nomes tão dispares como Ferrara, Warhol, Melvin Vam Peebles Doris Wishman, H.G. Lewis ou Waters, reflectindo ainda sobre géneros como o actual cinema de terror 'avantgarde' e 'realista' (entrando pelo universo proibido dos snuff) e do universo ajavardado da Troma ou na história dos chamados Biker Movies.
Uma obra recomendada aqueles interessados no verdadeiro underground cinematográfico americano.
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Segunda-feira, Junho 04, 2007
Fruta da Época: Claymore
imagem: Anime Banzai
Facilmente Claymore poderá ser considerada série mais relevante e popular da actual season de animação japonesa, que está já a gerar um grande culto (como costume neste tipo de contos medievais de contornos fantasiosos) e um buzz incontrolável na web. E para dizer a verdade, embora algo céptico ao início, fui assistindo aos episódios (sobretudo devido a sua influência gráfica semelhante a alguns comics europeu) para descobrir uma das séries mais interessantes e inteligentes que recicla o universo da sword and sorcery de uma forma espantosamente nova e simultaneamente fiel ao estilo do género.
Em Claymore não existem traços daquele risível e pomposo tipo de conto épico cheio de referências a misticismo new age que faz a delícias dos fans de Lord of the Rings e é obvio, sendo as personagens principais todas femininas, Claymore também não está cheio de risíveis musculosos heróis que prencheram o género sword and sorcery até á nausea e que sempre deram a este género uma estrnha leitura machista e simultaneamente homorerótica.
Tal como a espada que dá nome a esta irmandade feminina, as Claymores possuem qualidades duais, metade humanos metade youma (algo que pode ser descrito como um demónio) que livram um mundo medieval (de feel europeu) composto de pequenas cidades espalhadas numa terra povoada de outros Youma que parecem ter um especial fervor em destruir a humanidade. Mas aqui, não existem traços de misticismo de pacotilha nem poses viris em combater os mostrengos, mas sim um poderoso retrato gráfico do que foram as sagas do Norte da Europa, pontuadas por mínimas conotações físicas e grandes doses de simbolismo. E simbolismo é uma das grandes marcas da série, com a virilidade das espadas e das claymores, o estranho conto karmico e de reencarnação de Claire, a personagem que o espectador acompanha nesta viagem medieval e sobretudo a reflecção entre o mundo físico e o limbo sentimental onde se encontram estas estranhas heroínas, sempre dado com alguma frugalidade épica e uma imaginativa e poupada animação, sempre acompanhada com uma espantosa soundtrack, que decerto varia inveja a Howard Shore.
Quase parecendo uma série inspirada em qualquer pequeno apontamento de uma qualquer saga Asatru, Claymore é uma das séries mais interessantes e inteligentes a mostrar este tipo de universos fantasistas. Embora alguma justiça já tenha sido feita devido à numerosa adesão à série por parte do público, Claymore merece ser reconhecida como um dos poucos 'produtos' dos últimos anos a usar este tipo de settings sem destruir nem tornar bacocos toda uma tradição de 'medievalismo pop'. E a sua espectacular acção, embora possa poder se do agrado dos irmãos Wachowski, poucas vezes usa clichés do género.
Sábado, Junho 02, 2007
Fruta da Época: Rocket Girls
Poderá não ser a mais interessante da época, e pelo que me parece não gerou grande interesse na blogosfera, mas Rocket Girls é uma das séries de anime a serem seguidas cá por casa actualmente, sobretudo por causa do ambiente cómico e um certo revivalismo sci-fi que rodeia a história das adolescentes tornadas astronautas, num projecto espacial que, devido a requerimentos técnicos e ao pequeno budget do projecto, são escolhidas devido ao peso menor que um adulto astronauta.
Para lá de algum fan service e lugares comuns na animação de pendor cómico, esta série consegue ressuscitar alguns dos temas que costumavam estar presentes em algum do melhor sci-fi americano (no cinema) dos idos 50s e 60s e apresenta uma interessante selecção de personagens que reflectem esse mesmo universo, como a 'nativa' e o estranho chefe tribal das ilhas Salomão, onde são feitos os testes.
Uma produção da Happinet com a colaboração da Japan Aerospace Exploration Agency (que dá algum aprumo aos pormenores técnicos), esta série será decerto do agrado de alguns dos fans de sci-fi que gostam de um certo twist slice of life e sobretudo comédia brejeira em séries deste género.
A Mulher que Viveu Duas Vezes
Sendo já um realizador com experiência de concretizar livros para o grande ecrã, Juni Ichikawa pega na novela de Haruki Murakami tentando definir também toda uma iconografia criada já por este escritor. Tal como em Tugumi (1990), Tony Takitani de 2004 segue as visões do aclamado escritor japonês, por entre o seu existencialismo pós-pós moderno e os seus tiques neo-yuppies para contar a história de um estranho ilustrador de sucesso que tenta tornar a sua vida realmente humana, através de uma relação amorosa.
Tendo uma abordagem fria e minimal (também acentuada pela banda sonora de Ryuichi Sakamoto ), Ichikawa contrói uma narrativa onde toda a acção é interpretada sempre pelos mesmos dois actores (o suturno Issei Ogata e a bela Rie Miyazawa, ideais para representarem todas as personagens masculinas e femininas deste filme), numa lenta espiral narrativa onde a contemplação dos personagens, enquadrada por uma espantosa fotografia de Yoshikazu Ichida.
Um conto de solidão e perda, Tony Takitani é uma espantosa obra do recente cinema japonês, que decerto agradará aos fans de Murakami e sobretudo aqueles que apreciam um certo tipo de cinema mais 'contemplativo' com algumas raizes no cinema clássico nipónico.
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Fruta da Época: Denno Coil
Já a gerar um pequeno culto na comunidade de fans de anime, Denno Coil (aka Coil - A Circle of Children) a primeira realização (acho eu) de Mitsuo Iso, um já conhecido key animator que colaborou em Ghost in the Shell e FLCL, e que agora se aventura com o seu próprio guião, é a mais interessante série de sci-fi dos últimos anos.
Iso consegue misturar o seu fascínio pelo sci-fi mais 'mecanico' (foi também o weapons designer de Ghost in the Shell) e espantoso lado humano que parece ir buscar a sua principal influência aos Ghiblin Studios. Basta ver o 'circulo de crianças' que se dedicam a 'hackar' o mundo simultaneamente virtual e físico onde se encontram, as suas pets e sobretudo as relações entre as diferentes gerações (e sobretudo a presença mágica da avó de Kyoko) que permitem uma estranha e fascínante mistura entre magia, humanidade e tecnologia para entender que esta série parece ser quase um upgrade do universo de Hayao Miyazaki, mostrando a profunda influência deste autor já clássico na actual animação.
Colocando a sua acção na fictícia Daikoku City, Denno Coil descreve a realidade possível num futuro próximo onde, através de uns aparentemente simples par de óculos, toda a gente conseguirá visualisar cyber objectos virtuais de uma forma real, tornando a realidade humana uma estranha mistura entre átomos e pixéis. Mas em vez de imaginar este mundo como uma espécie de lugar cyber-tech, Mitsuo Iso coloca as suas personagens numa realidade perfeitamente ordinária e normal, tal como aquela que nos rodeia, mas onde no background se lutam guerras virtuais entre hackers pela posse de segmentos de 'lixo virtual' que é prontamente destruido pelas 'forças da ordem' (os hilariantes Satchii).
Uma espantosa reflecção sobre a actual forma 'virtual' como vivemos e do lixo de bits e bytes em que nos encontramos, Denno Coil é uma daquelas obras que consegue por si mesmo criar uma 'cosmologia' própria, muito completa e que faz sentido até nos pormenores mais pequenos. Altamente aconselha
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