(post originalmente criado em 19/05/07)
Tal como no post anterior, Dead Man Shoes ( 2004) coloca a sua narrativa nas midlands Inglesas, num conto de vingança de contornos realistas muito diferente dos registos de marginalidade caricaturados pelo exagerado Guy Ritchie. Já definido por um crítico (não me recordo qual) como um crossover entre Taxi Driver e Get Carter, uma definição que me parece acertada, este filme (a feature de Meadows anterior a This is England) é um fascinante conto de retaliação onde o filho prodígio volta ao local de origem não para se reconciliar com as origens mas para vingar o irmão dos actos de um pequeno gang de delinquentes.
Entre a observação quase documental do suceder de vítimas, a narrativa vai dando a conta gotas os verdadeiros motivos da vingança, até a um final apoteótico e surpreendente (talvez...) final, que já tornou este filme num dos filmes cultos da recente cinematografia inglesa.
Segunda-feira, Maio 28, 2007
Visões de Meadows(1): This is England
(post originalmente criado a 06/05/07)
No seu realismo que não apaga os icones juvenis, This is England (2007) é um dos mais poderosos, interessantes e verdadeiros filmes sobre adolescentes que foram feitos nos últimos anos e (claro) o mais interessante filme britânico do ano.
Pegando nas agora tradicionais visões urbanas do cinema dos 80s e usando de um 'neo-realismo' por vezes documental, Shane Meadows constroi um conto auto-biográfico de descoberta adolescente e desilusão no mundo da violência adulta, ao contar a história de Shaun, um pré-adolescente que descobre a amizade e uma father figure num gang de skinheads nas midlands que se vê dividido entre continuar a ser fiel às raizes do movimento (e aqui uma nota para notar que ainda existem pessoas que não sabem que este movimento não tinha absolutamente nenhumas ligações aos actuais movimentos xenófobos e racistas) ou começar a aderir à sedutora campanha que a National Front vai fazendo ao grupo, através de um velho amigo que na prisão se converteu aos ideais do partido.
Independentemente de toda a questão em torno do conteúdo biográfico do filme (a acreditar em Meadows, muito fiel à sua propria adolescência), This is England é um poderoso e fascinante documento sobre a verdadeira Inglaterra dos anos 80, a qual Shaun (Thomas Turgoose, um menino prodígio decoberto por Meadows para este filme) personifica como uma metáfora uma geração demasiado nova e despreviligiada para pertencer ao exército yuppie de Maggie Thatcher e que para quem os 80s não significa lantejolas nem disco sound, mas conflitos raciais no bairro operário, Doc Martens e Ska, a verdadeira banda sonora da verdadeira Inglaterra dos 80s. Imperdível!
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Brincar aos Clássicos
Mais um visita à obra de Jae-young Kwak para agora ver Keulraesik (aka Classic de 2003), o antecessor do já por aqui comentado Windstruck . Neste filme, o realizador maravilha do cinema coreano leva-nos na viagem pela história cruzada de duas gerações diferentes de personagens, com feitios bem mais 'normais' que aquelas mostradas nas suas outras obras, mas sempre com um espantoso flair narrativo ao contar uma excelente história dramática, que transforma o melodrama em puro sentimento trágico humano.
Kwak conta uma trágica história de dois triângulos amorosos que carregam histórias de amor 'quase' impossíveis em duas gerações de coreanos marcados por diferentes condições sociais e políticas (existe numa a Guerra da Coreia como fundo histórico e na outra a rápida transformação do recente capitalismo sul-coreano) e a forma em como esses mesmos dois sets de personagens (ligadas pelo sangue) completam uma história quase karmica onde os filhos concluem a vida dos pais.
Com uma tendência de 'imitação' clássica, reflectida nas várias menções ao antigo cinema de tendências pulp coreano (e americano), ao melodrama teatral de Cyrano de Bergerac e ao um classicismo algo conservador, onde as convenções sociais parecem não ser feitas para quebrar mas para contornar, Classic possui, como sempre na obra de Kwak, uma arrepiante e espectacular narrativa romântica de contornos comerciais, mas que possui em todas as suas concidências existênciais e desencontros vivênciais aquela qualidade dos mais belos produtos de melodramatismo cinematográfico.
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Sábado, Maio 26, 2007
O Humor no Terror
Decerto que os fans de Shinya Tsukamoto, que merece ser lembrado para a história do cinema nipónico como o realizador de Tetsuo de Iron Man e a sua sequela (the Body Hammer), Vital e de Snake of June, verão Yokai Hanta - Hiruko (1990, aka Hiruko the Goblin) como um daqueles produtos de transição, uma espécie de desvio de carreira para um território comercial de forma a provar que os efeitos 'vanguardistas' de Tetsuo (o filme anterior de Tsukamoto) podem ser empregues para as massas. Mas para além de qualquer destas considerações sobre Hiruko the Goblin, este filme revela mais do estilo do realizador do que muitos querem admitir.
Aqueles que tenham tido o prazer (?) de ver a feature de estreia deste realizador (Adventures of Electric Rod Boy de 1987) e lido nas entrelinhas o (considerado sério) produto cyberpunk industrial que são ambos os filmes da 'série' Tetsuo, decerto que terão notado o fascínio que Tsukamoto tem pelo humor grotesto, uma forma de também espantar as audiências.
Hiruko the Goblin é muito mais do que um produto falhado de conjunção horror com comédia (ou vice versa). A sua essência é mais aquela de Braindead (1992), onde o 'mau' e voluntário horror se torna um produto cómico, devido ao seus exageros e lugares comuns, um tipo de produto que de resto tem uma tradição esmagadora no cinema japonês desde sempre, reflectida não só no barato cinema trash como nos produtos mais mainstream de uma das indústrias mais interessantes do actual cinema.
E mesmo passado 17 longos anos de fusão, que nos deu a nós, espectadores, produtos tão espantosos como estupidamente maus, Hiruko the Goblin continua a demonstrar o seu charme 'barato' mas hilariantemente fresco do que de mais cómico se fez no terror comercial. Só é pena este filme estar tão esquecido, subterrado pela míriade de filmes nipónicos graficamente excessívos e com uma excentricidade gratuita que fazem as delícias do público ocidental...
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Um Luxo
Via geekologie.com
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A Lei da Selva(2): Road to Bali
Tal como o duo cómico do post anterior, Bing Crosby e Bob Hope, na sua parceria em 7 filmes conhecidos para a história como os 'Road Movies' (Road to Rio, Road to Morocco, Road to Utopia, Road to Zanzibar, Road to Bali, Road to Hong Kong e Road to Singapore) concretizaram também o tipo de entertainment das classes populares americanas, com os seus glossy números musicais, as magníficas pernas das nativas de tais exóticas paragens e sobretudo da presença feminina da (estupenda e aqui reduzida a pouco mais que eye candy) Dorothy Lamour, a dar ao duo de cantores/comediantes e playboys bacocos e com estranhas pulsões homoeróticas escondidas entre uma cumplicidade de camaradas womanizers, uma razão para fazer um filme sobre aventuras masculinas.
Ao contrário da comédia prática de Abbott e Costello, estes 'Road movies', e em especial Road to Bali (1952) o objecto deste post, Crosby e Hope tentam nivelar por cima a sua presença cinematográfica com um berrante technicolor a mostrar todas as cores de um tipo de music hall com muito burlesco, onde os números musicais estupidamente estranhos (e claro, novamente recheados de momentos politicamente incorrectos) são combinados com momentos cómicos (?) que revelam estranhos fascínios pela poligamia do trio Crosby/Hope/Lamour, menções a zoofilia e práticas com mulheres reduzidas a objectos de 'sexualidade cómoda' ou a presença (imprescidível em qualquer filme mau) de um homem vestido de gorila, uma estranha prática no cinema americano da altura, ainda pouco estudada.
Tudo isto serve para contar mais uma história absurda de aventureiros gananciosos, onde mesmo o recheio de tantos cameos (Jerry Lewis, Jane Russel, Bogart, Dean Martin), não explicam o fascínio que a geração dos nossos avós tinha por tal deprimente espectáculo technicolor. Mas olhando com alguma contenção, e tendo em conta que um objecto como o DVD ainda não é efectivamente reciclável se incluido no lixo doméstico, decerto que muitos daqueles que gostam de cinema (dito) piroso (no qual me incluo sem pudor), acharam muitos motivos para ver este filme, 'medindo o seu pulso' para encontrar muitas pulsões sociais da sociedade americana da altura (já para não falar de uma badalhoquice barroca), no universo estranhamente subliminar deste rídiculo documento.
A Lei da Selva(1): Africa Screams
Duas personalidades de topo da lista dos comediantes clássicos americanos populares (ou populistas) da década de 40 e 50, Abbott and Costello fizeram durante a sua experiência cinematográfica (ao longo de cerca de 30 filmes) interessantes exercicios de 'análise parva' sobre os fenómenos pop que se manifestavam no cinema popular americano, sempre de uma forma disparatada, mas acertando no alvo dos temas.
Os seus encontros cinematográficos com o Captain Kidd, o Homem Invisível, a Mumia ou Frankenstein, mais as suas aventuras na legião estrangeira ou em Marte (!) tornaram-se depressa em clássicos do cinema do piolho, com as suas cracking jokes secas, comédia corporal e pensamento prático, muitas vezes com explosões de political incorrectness, que eram apreciadas até ao culto pelas classes populares americanas.
Mais do que pedir emprestado o título ao 'bombástico' documentário exploitation Africa Speaks! (1930), Africa Screams (1949) é um re-encenar de todos os filmes da época que cada vez mais viviam do exotismo de plástico de uma ascendente pós-guerra classe média que começava agora a sonhar poder ir de férias para localizações exóticas (uma tendência que é levada aos limites nos anos 50s, com resmas de filmes exotico-exploitation). Se este tipo de cinema popular, onde homens vestidos de fatos de gorila, nativas estranhamente simpáticas e nativos hostis e sempre considerados sub-humanos (normalmente representados por actores afro-americanos, como sempre), completavam os cenários de vegetação de plástico e considerações 'existênciais' num mundo selvagem e sujo, prontinho a domar pelo superior homem w.a.s.p. americano.
Africa Screams não foge a este tipo de considerações, mas a presença disparatada de Bud Abbott e Lou Costello torna as coisas ainda piores, com as suas técnica laugh-a-minute empregue de uma forma agressiva e a subversão completa de uma história já de si 'coxa' de significado, que faz o espectador pensar que serão aqui os selvagens.
Poderá não ser a cup of tea de muitos dos actuais cinéfilos especializados em comédia e decerto que o baixo orçamento (e baixa comédia tipica do duo) poderão não ajudar, mas este Africa Scream é um excelente documento do que terá sido a cultura popular americana nas vésperas nos expansivos anos 50, onde se conseguem ainda ler nas entrelinhas algumas das questões de identidade dos EUA face ao resto do mundo.
Sábado, Maio 19, 2007
Jean-Pierre Léaud ao Serão(2)
Masculin Féminin: 15 Faits Précis (Jean-Luc Godard, 1966)
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Sexta-feira, Maio 11, 2007
Pequenas Visões do Sublime
via Gpod
“The camera of Maya Deren delivers us from the studios: it presents our eyes with physical facts which contain profound psychological meaning; it beats out within our hearts or upon our hearts a time which alternates, continues, revolves, pounds, or flies away…. One escapes from the stupidity of make-believe. One is in the reality of the cinematic fact, captured by Maya Deren at that point where the lens cooperates as a prodigious discoverer.” (Le Corbusier, 1945)
The Complete Films (1943 - 1958)
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Domingo, Maio 06, 2007
Bizarros Prazeres Kitsch
Embora por vezes esquecido como tal, The Girl Can't Help It (1956) é um dos maiores Rock and Roll movies de sempre, projectando através da sua ambígua visão sobre a fama, a música e sobretudo o 'desprezível' kitsch de uma certa nova classe nouveau riche que chegou a Hollywood por volta dos 50s.
Nesta ambígua visão do realizador Frank Tashlin cabem toda uma visão sarcástica do modo como a fama é gerada, focando quase sempre como uma rápida ironia o facto de que qualquer um consegue 'lá chegar' sem saber cantar, tal como o cantor no top que toca na TV numa das cenas do filme (Eddie Cochran has himself), a forma como as aparências são mantidas de forma a fazer um 'produto' e sobretudo como os sentimentos são entulhados perante a atarefada corrida que o manager de talentos (Tom Ewell, a repetir o seu papel do algo semelhante "The Seven Year Itch") tem que fazer para tornar em poucas semanas uma blonde bimbo que quer ser uma doméstica (Jayne Mansfield, no seu primeiro papel principal e um dos mais inesquecíveis) numa estrela da canção.
E embora parecendo que existe aqui um criticismo bastante notado sobre este tipo de 'novos estilos de vida', The Girl Can't Help It é de facto uma legítima r'n'r feature, aquela que, tentando 'apanhar o comboio' das numerosas 'rock and roll features' de pendor B, que levavam novo segmentos de público aos cinema, conseguiu mostrar os maiores e mais rebeldes artístas rock da época, em registos claramente superiores e mais 'castiços' que a concorrência na época.
Tashlin, que alguns recordarão decerto por ser um inovador animador dos filmes animados da Warner (sim, Bugs e Co.), não poupa esforços neste filme live action para tornar este um dos mas exagerados clássicos do Kitsch feito num grande estúdio, com o uso de exageradas cores e formas (com o seu expoente na caricatura que é Mansfield), backgrounds marcados por um excessívo 'mau gosto', quer para evidenciar as personagens, quer para fazer uma apologia cartoonish de todo este 'novo mundo' do show business.
Uma das grandes influências de cineastas independentes camp, com John Waters à cabeça (que de resto tem uma esclarecedora entrevista de 20 minutos incluida num dos extras desta edição do filme, onde desconstroi com uma mestria impossível de ser igualada neste blog), The Girl Can't Help It é ainda hoje uma fabulosa comédia sobre as 'novas tendências' e comportamentos humanos perante a fama, e embora algo ultrapassada pelo exagero a que os reality shows chegaram nos dias de hoje, consegue ainda fazer um dos retratos mais cómicos sobre a fama, o novo riquismo, o exagero do ego e, claro, a simultanea crítica mas também apologia de um life style que Jane Mansfield, uma das criaturas mais explêndidas de Hollywood, representou em cheio.
Sábado, Maio 05, 2007
Bizarros Prazeres Camp
Quando em 1960 Doris Wishman realizou Nude on the Moon, o seu segundo filme (também o seu segundo nudist dos 8 que realizou entre 1960 e 1965), já o sub-género conhecido como Nudist Film, um dos sabores mais famosos do clássico exploitation (1912-1955) estava na sua decadência, com diversas associações nudistas a promoverem-se satisfatoriamente de forma mais séria e selectiva junto da comunidade e com a cada vez maior tolerante indiferença (depois da 'luta moral' ter falhado) por parte dos vários sectores da sociedade americana dos 50s/60s. Tornando-se quase inofensívo com a liberalização de costumes durante o pós-guerra e a maior 'oferta' de diferentes produtos para 'adultos', este género estava quase condenado a evoluir para variantes mais 'criativas' ou fundir-se com outros sub-géneros com qualidades mais 'perversas' (como o chamado atrocity films ou mondo e os vice films dos 30s/40s).
Wishman, que realizou filmes com ambas as variantes durante a sua carreira (alguns a roçarem extremos), consegue com este bizarro produto nudista, sem paralelo em toda a história do cinema abrir a 'caixa de pandora' do cinema camp americano que teve o seu auge com os excessos de John Waters, filmando um dos mais trashy e camp bocados de cinema que há memória no inicio da década, e que se nao tivesse o propósito 'artístico' de mostrar carne, decerto seria um dos produtos de avantgade mais estrahos alguma vez vistos.
Como muitos filmes que costumam passar por este blog, Nude on the Moon é facilmente atacável devido à total ausência de qualidade artística, técnica, com péssimos adereços e efeitos especiais, mas este 'sci-fi nudista' revela de facto uma quase candura artística sem medo do ridículo e com uma atitude que, tal como as obras de Russ Meyer ou Herschel G. Lewis, ajudou a criar um dos géneros dominantes do cinema B da década de 60 e 70 (o sexploitation). De resto com este filme abandonam-se todos os tiques 'educativos' e documentais que o exploitation tinha até então (de forma a mostrar o que até então não era socialmente aceite sem sofrer grande pressões de censura), para se contar uma história pouco plausível e de contornos hilariantes, onde os dois astronautas protagonistas encontram, depois de uma das mais estúpidas viagens espaciais que haverá memória no cinema, uma pacata civilização nudista numa das faces do satélite natural do planeta Terra.
Mais do que um documento precioso para aqueles que se ocupam de encontrar ''tesourinhos deprimentes no cinema B (que este filme terá decerto um lugar de destaque), Nude on the Moon é uma das obras mais interessantes a re-descobrir na rica história do camp cinematográfico americano, um poço de bizarria cómica que apenas tem paralelo com as obras de Meyer na mesma altura e apenas ultrapassado pela obras camp já nos 70s, de que Pink Flamingos de Waters é o símbolo máximo.
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Pimp My Ride
via gpod
Um comovente tributo a Ed "Big Daddy" Roth, Tale of the Rat Fink (2006) é um documentário espectacular sobre a vida e obra de um dos mais excêntricos artistas gráficos americanos do século passado e uma das mais influentes personagens da cultura pop americana dos anos 60. Com a colaboração de fans com nomes sonantes como John Goodman, Matt Groening, Jay Leno ou da diva camp Ann-Margret, Ron Mann e Solomon Vesta realizam um original documentário, apenas feito por imagens de arquivo e com entrevistas a alguns dos sobreviventes hot rods que o demente Roth construiu, desafiando todas as leis do design e da engenharia.
Como se não bastasse ser o melhor e mais completo documentário sobre Roth, desde as suas primeiras experiências gráficas nesses simbolos fálicos que são os automóveis americanos até a invenção de todos os métodos de merchandising que actualmente são lugar comum (passando pela sua personagem Rat Fink, uma resposta directa ao Rato Mickey), Tale of the Rat Fink é uma preciosa lição sobre design pop (e camp) americano das décadas mais inovativas do século XX americano, mostrando as origens de uma das actividades mais populares junto dos fans do automobilismo pimba (o tunning pois claro), realizado com uma paixão declarada pela obra de "Big Daddy" Roth e ,sobretudo, usando um grafismo que faz do pouco muito, entregando aos espectadores (mesmo os desconhecedores da obra de Roth) puro entretenimento.
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Humor de Cão
imagem: FilmBrain
Obra de estreia de Joon-ho Bong, o realizador coreano revelado na Europa o ano passado com Gwoemul, Flandersui Gae (aka Barking Dogs Never Bite, 2000) revelou um dos realizadores mais comentados no novo cinema coreano, com uma comédia negra de contorno 'detectivescos', onde personagens não lineares conseguem construir situações extremamente caricatas e que levam a consequências quase inesperadas.
Sung-jae Lee (a estrela do recente 'Daisy' ainda não estreado na Europa) e Du-na 'Paran Maum' Bae compõem duas personagens que não cedem a qualquer estereotipo e conseguem desarmar o espectador perante a sua composição multifacetada que torna um aparente whodunit numa das comedias offbeat mais inesquecíveis da década, por entre crueldade animal, estranhas escolhas culinárias e bizarras personagens com estranhas tensões sociais, que parecem querer descrever uma boa parte da actual sociedade da Coreia do Sul.
Evitando quaisquer clichés que poderiam ser facilmente usados aqui (nunca se sente aquela espécie de maniqueismo cinematográfico em algum cinema independente vai caindo), Joon-ho Bong realiza aqui um estraordinário debut, onde (finalmente) existem situações dramáticas com uma estruturada realidade e sobretudo personagens que não insultam a inteligência dos espectadores e que mesmo puxando pela comédia mais grotesta e hilariante, consegue uma realização pontuada por um algo 'subterraneo' drama social, sem nunca 'estragar' a sua comédia bizarra, tornando-se este Barking Dogs Never Bite um dos filmes coreanos que é urgente descobrir.
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