Domingo, Abril 29, 2007

O Regresso dos Heróis: Gurren Laganne a Nova Temporada de Anime

Gurren-Lagann

Já se sabe que com o começo da nova temporada de séries de animação japonesa, durante o mês de Abril, começa um maratona cansativa por parte dos fans para visionamento de dezenas de séries, as trocas de impressões sobre os primeiros episódios e a caça de informação sobre a next big thing a assistir de forma a poupar visonamentos de tanta da palha que costuma surgir por volta desta época do ano. Cá por casa, e depois de 3 longas semanas de serões animados estão já escolhidas aquelas que farão as delicias dos serões dos próximos meses, e claro que o grande campeão das escolhas é o tão esperado comeback da Gainax, com uma das séries que poderá tornar-se um clássico de culto em poucos meses.

Tengen Toppa Gurren Lagann (qualquer coisa como "Break-Through Heaven Gurren Lagann" a acreditar na tradução da Wikipedia), que começou a ser exibida na TV Tokyo no início de Abril, tem TUDO aquilo que os fans desta produtora se foram habituando ao longo dos anos: Heróis idealistas equipados com mechas e armas invulgares, personagens tão bizarramente caricaturais como assustadoramente humanas, bikini girls with machine guns prontas a servirem as cenas de fan service, cenas de acção espectacularmente animadas e inventivas, doses de splatterpunk e cute suficiente para o 'menino e para a menina', sci-fi com um twist cómico hilariante, tantas vezes imitado, mas nunca igualado.

Quase um road-movie futurista, que casa de forma deliciosa os universo pós-apocalipticos do splatter punk com mechas com 'acrescentos' mecanicos bizarros (como a 'célebre' fálica broca que já esteve presente em Dead Leaves, a recordar algum sci-fi punk japonês dos 80s, com alguns fans de Tetsuo the Iron Man decerto notaram), Gurren Lagann vai acompanhando as aventuras de um grupo de misfits que vão tentando sobrevivendo na superficie do planeta, fugindo das cidades subterrâneas onde a humanidade está refugiada, confrontando a estranha raça de bizarros (e por vezes hilariantes) monstros que domina a superficie, usando para tal estranhos mechas que não necessitam de mais nenhum combustivel senão das pulsões humanas dos seus pilotos. Até aqui, está visto, nada de novo, mas a forma como tudo isto é empacotado, usando uma acção frenética combinada com a comédia mordaz e personagens que têm tanto de slick como de sexy, faz desta série uma das coisas mais interessantes a seguir, conseguindo logo no final do primeiro episódio gerar uma adição obsessiva que nos fará perder a cabeça até 'chutar' a próxima dose.

Desde logo gerando um buzz impressionante desde o primeiro momento em que foi anunciada, Gurren Lagann reune alguns dos nomes mais sonantes da animação japonesa encabeçados pelo realizador Hiroyuki Imaishi (Dead Leaves, FLCL), que parece apostado a baralhar e dar de novo todas as influencias contidas no universo já popular da Gainax, que não se rende às novas tendências da anime japonesa (como o excesso de 3D, por exemplo, muito sentido nesta e na anterior season), mantendo a sua 'escola' gráfica inconfundível, algo que de resto está já a gerar algumas críticas por parte da comunidade otaku e que devido a flaming excessivo no célebre 2channel, já fez rolar cabeças dentro da equipa de produção (mais pormenores aqui).

Mesmo com o crescente descontentamento dos fans, sobretudo notado depois do episódio 3 , que parece estar já a toldar o juizo de alguns espectadores, esta é decerto uma das mais interessantes e séries de anime do ano, aquela que, mesmo usando e parodiando os moldes algo gastos que usa para conseguir existir, consegue entregar o entertenimento mais completo, sem cair nas ambiguidades e nos momentos chatos que as outras estreias parecem já estar condenadas.

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Outras séries da season visionadas nas últimas semanas:

Possivelmente interessante:


Lovely Complex: Comédia slice of life sobre os complexos de uma rapariga demasiado alta e um rapaz demasiado baixo, quem entre hilariantes situações de Amor-Ódio, descobrem que são almas gémeas. Genialmente engraçado e com uma artwork que, finalmente, não recorre nem aos antigos nem aos actuais clichés da anime... mesmo correndo o risco de se tornar uma série cansativa e com um feeling muito maisntream, vale a pena pela sua comédia de situações.


OverDrive: curiosamente uma das primeiras apostas, Over drive não consegue captivar, embora tenha todos os ingredientes para tal,com um excelente character design e artwork e um enquadramento narrativo de coming of age interessante (um miúdo que através de uma paixão de adolescência entra no competetivo mundo do ciclismo pro). Com uma animação sem grande força e com piadas que, embora inteligentes, não se conseguem 'agarrar' a uma acção pouco contínua... talvez a voltar mais tarde com alguma surpresa agradavel assim que os episódios 'abram' um pouco mais a história.

Bokurano: um Mecha Horror, bem mais sofisticado do que a maioria, mas com demasiadas pulsões apocalipticas entregues a um grupo de teenagers que têm que salvar o mundo através do que parece ser um videogame, que se vai tornando mais e mais uma realidade paralela... excelentes ideias base e artwork interessante. Talvez a seguir mais tarde.

Claymore: De forma alguma original, Claymore consegue captivar pela artwork de influência europeia e um quase sempre sentimento de dançar no fio da navalha entre o interessantemente novo e o eterno já visto que nos leva a perder tempo a ver todo o lixo que costuma ser lançado no início das seasons, à procura de uma série de jeito, de preferência que muda a vida do espectador... esta promete se a mais original e substancial série da season... a ver vamos.


Aconselhados:

Darker than BLACK: Agentes 'psychicos'numa Tóquio em ambiente noir. Inteligentemente bem feito, com interessante artwork, boas personagens e história intrigante. Os primeiros episódios abrem o apetite para mais disso.


Rocket Girls : uma pouco normal visão da já normal ficção cientifica no anime, com raparigas adolescentes a serem recrutadas para serem pilotos de teste em foguetões algures em ilhas exóticas cheias de nativos que correspondem a alguns clichés (pouco politamente correctos) do cinema exotica americano dos 50s e com situações que deixam transparecer um certo fascínio por algum do género de ficção científica B americana dos mesmos 50s, tudo embrulhado numa interessante artwork, com algum fan-service e excelente comédia.

Lucky Star: Genialmente engraçado, o pessoal que fez a The Melancholy of Haruhi Suzumiya volta agora ao ataque ao fazer a melhor comédia da season, onde os diálogos fúteis sobre coisas ainda mais fúteis tornam-se o principal objectivo de cada episódio, sem medo de explorar o absurdo... genial!



A evitar:

iDOLM@STER XENOGLOSSIA: Mecha que reflecte todo o universo das stepping stones do género, mas com uma interessante artwork e alguns twist slice of life (e muito fan service), com a direcção de Tatsuyuki Nagai, o realizador da segunda série do 'já culto' Honey and Clover. Mesmo dizendo isto, e depois de um primeiro episódio interessante, a fan service obscurece os propósitos da série e tudo se torna chato...

Kami-chama Karin:
as costumeiras histórias cute de Magical Girl, com pets fofinhas e alguns traços de perversão... dispensável


Magical Girl Lyrical Nanoha StrikerS: a sequela de Magical Girl Lyrical Nanoha A's, uma daquelas histórias de miúdas adolescentes com armas kicking ass... um território desinteressante


Sola: Romance sobrenatural com as constantes pulsões Shounen, com raparigas não-humanas a serem perseguidas por caçadores de 'fantasmas' e a encontrarem simpatia num inocente adolescente... apenas interessante a fixação da personagem principal por nuvens em todas as suas variantes. O resto é francamente dispensável.


Monster Princess: mais clichés Shounen, com um adolescente a ficar com o destino escravo de uma perversa vampira... dispensável.

Murder Princess: bocejante história de uma bounty hunter que se torna por acaso a princessa de um reino em perigo... mau character design, má história, péssimo pace... será preciso dizer mais?

Heroic Age: existe algo aqui, embora com tanto CGI, piadas secas e franco character design que parece ser interessante... possivelmente são os mecha...

Ikkitousen: a evitar (ver este post)

Hitohira: Slice of Life sobre inseguranças adolescentes na escola de artes, Hitohira cai em estereotipos de personagens, mas o enquadramento narrativo (o clube de teatro), poderá gerar algo interessante, mas que não se perde nada se evitada.

Moonlight Mile: Depois de Flag e semelhantes tipo de séries com um twist demasiado 'real' sobre a realidade mundial, este Moonlight Mile vem consolidar este tipo de género 'realista' de aventuras, que não fazem de forma algumas as delícias cá em casa. Só para adeptos do género.

Winter Cicada: uma salganhada de história de época, caindo na análise história do Japão do início do século XX, misturando personagens tanto a adoptarem atitudes ocidentais, como a tentarem manter a sua 'niponicidade' no meio de uma história de contornos gay. Francamente irritante.

Deltora Quest: aventuras medievais entre Lords of the Rings e Record of Lodoss War, com um estilo gráfico old-school, recomendado apenas a fans do género.

The Last Graveyard Smash

bobbypickett

Bastou uma rápida meia hora a Bobby "Boris" Pickett para escrever o one-hit wonder que o tornaria um ícone camp. Monster Mash (escrito em parceria com Leonard Capizzi em 1962) será sempre considerado a mais espéctacular música de Halloween de sempre, passando de gerações em gerações como um dos símbolos máximos desse feriado americano.

Bobby "Boris" Pickett morreu na passada Quarta-feira, dia 25 de Abril, e deixou para trás a sua influência em músicos tão dispares como os Bad Manners, Bob Dylan ou os Misfits. Mas principalmente foi uma das maiores influências para a "reciclagem" dos simbolos do cinema de terror para a cultura popular, que foi continuando até as dias de hoje.

\m/

Metal Headbang

É quase impossivel assistir a Metal - A Headbanger's Journey (2005) que Sam Dunn, antropologista americano e (sobretudo) metalhead realizou, sem soltar umas valentes gargalhadas cúmplices sobre a confusão que fez neste documentário. Por um lado temos um antropologista a tentar por vezes manter a sua imparcialidade sobre o assunto, dando uma overview bastante leve sobre o género musical, tentando captar a atenção de um público mais generalista que os metalheads que decerto viram (ou irão ver) este documento... Por outro lado o homem por vezes perde completamente a cabeça e deixa que as suas paixões mais extremas pelo género músical tomem conta deste hilariante, espectacular e apaixonante retrato do género que mais paixões e ódios gerou em toda a história do Rock and Roll.

Esta ambiguidade dá a este documentário desde logo um interese acrescido. Na pequena auto-biografia que Dunn dá ao espectador de forma a se explicar como realizador de uma das obras documentais sobre Rock mais interessantes da última década, fica logo claro que este filme não tem os corantes nem conservantes que costumam vir escritos nas embalagens da MTV, com o seu hype histérico, e sobretudo sem aquele estilo documental irritante que 'mostrar' cultura popular como se se tratasse de qualquer documentário National Geographic que tenta fazer de algo organico um tema hermético e sem qualquer variação possível.

Independentemente de qual será a condição do espectador (apaixonado pelo género ou diferentes 'sub-géneros', leigo interessado na materia ou espectador que despreza de forma compulsiva um género que, por muito que se tente, nunca conseguiu ser absorvido de forma séria pelo mainstream) o documentário de Dunn foca de forma compreensiva para os leigos ou de forma nostálgica para os entendidos as origens, os momentos-chave, as poses e atitudes, as ambiguidades e as relações com os outsiders do Heavy Metal.

Da New Wave of British Heavy Metal ao Thrash Metal, do Hair Metal californiano ao Black Metal Nórdico, Dunn vai dando uma lição generalista sobre um género com mais de 30 anos que, embora sempre ridicularizado e desprezado, nunca deixou de ter uma sólida tribo de fans que partilham a mesma paixão, seja qual for o ponto do globo onde se encontrem, e sejam quais forem as condições sociais, politicas ou económicas que vivam e sobretudo, que une diferentes gerações. Recomendado!

Sábado, Abril 28, 2007

10 Reasons

deadman


People were talking about entering the 20th century well past 1950; it may not have begun until, say, 1956, with the emergence of Elvis Presley. Some might say it didn't begin until the early 1960s, with the first signs of breakdown in the Western democracies, which is to say in the philosophical systems that had governed the Western mind for more than 300 years, or until 1989, with the collapse of l9th century ideals of social revolution. That's a way of saying the 20th century never began at all. In other words, getting into the next century may be a lot harder than it looks. There's no hurry. We may all be here for a long time, waiting. In that spirit:

Ten reasons why "Dead Man" is the best movie of the dog days of the 20th century:

1. Made in 1996, it might as well be a silent. You can read the whole film off its faces.

2. I can never keep track of how many people Johnny Depp shoots.

3. The running Cleveland joke, which makes the whole movie -- not to mention the hero's whole life -- into a shaggy dog story.

4. There is no hint in director Jim Jarmusch's previous work that he was interested in anything but irony, and this movie has no irony.

5. Lance Henriksen reprising his head-vampire role from "Near Dark" -- as a bounty-hunting cannibal.

6. The fact that you agree with him that the only way to shut up one of the other bounty hunters is to eat him.

7. The sense of an undiscovered West -- a West that vanished before it could be incorporated into national myth. That's all there on the train ride from Cleveland to the Pacific, some time after the Civil War, as the white passengers shift inexorably into barbarism.

8. Depp is an accountant named William Blake; as he heads into the accursed little Northwest town to work at what almost smells off the screen as a tannery, you realize you are now seeing the dark satanic mills, and that it's no big deal.

9. I'm not sure it's Robert Mitchum or the painting of his character that has a stronger screen presence, but it was his last role.

10. But you know, when it comes to sweeping the century off the table, Ildik Enyedi's film "My 20th Century" (1989) might be the one.


Greil Marcus, Dead again in Salon.com

Otaxploitation (4)

Sexyvoice
Originalmente um manga shōjo de Iou Kuroda, Sexy Voice and Robo tem agora uma adaptação live action na NTV que, talvez por ter gerado tantas expectativa cá por casa, revelou-se uma das maiores desilusões do ano em formato dorama.

Depois de tanto hype construido à volta da série, que se apropria de um dos mangas com mais culto dos fans dos comics japoneses da 'nova vaga' e com uma campanha publicitária no Japão, que levou os fans a uma insuportável espera, nota-se agora que o resultado nao podia ser mais (isto numa perpectiva pessoal) chato e boçal. Com o intragável Matsuyama Kenichi (conhecido dos fans do live action de Nana) a fazer uma representação patética do otaku Robo e a 'ainda verde mas já notável' Ohgo Suzuka (revelada a ocidente com Memoirs of a Geisha) a construir uma interessante mas algo 'lisa' personagem de Hayashi 'Sexy Voice' Niko, que não consegue salvar o primeiro episódio de ser melodramático, flat em comédia e disparatadamente amador.

A evitar, sobretudo para os fans da obra de Iou Kuroda.

Most Wanted (2)

usjohnlennon

Via Gpod

David Leaf and John Scheinfeld's documentary (The U.S. vs. John Lennon, 2006) dredges up the sordid and largely forgotten tale of the right-wing attempt -- spearheaded by Strom Thurmond and J. Edgar Hoover, no less -- to get Lennon deported as an "undesirable alien." The reasons are not mysterious and at this late date the history is not in dispute. After the breakup of the Beatles, Lennon and Ono moved to New York in 1971, where they became increasingly visible figures on the antiwar left -- and almost immediately targets of the FBI.

Andrew O'Hehir, Beyond the Multiplex in Salon.com

Mais do que um daqueles documentários para os fans e peaceniks, este The U.S. vs. John Lennon é um re-contar de um dos episódios mais interessantes entre as interferências políticas na cultura popular e de como o spin (agora institucionalizado nas sociedades ocidentais) pode moldar a vida de alguém que se torne publicamente incómodo aos poderes instituidos. Uma imperdível visão sobre parte da interessante história americana dos 70s.

Mighty, Mighty Atom!

astroboy

There you go, Astroboy, on your flight into space.
Rocket hi----gh, through the sk----y
For adventures soon you will face.
Astroboy bombs away,
On your mission today,
Here's the count----down,
And the blast----off,
Everything is go, Astroboy!

The Astroboy March
Tatsuo Takei/Don Rockwell, in Astroboy.tv


Aproveitando o recente anúncio que dá como certa a produção nipo-americana de um live action de Astro Boy (ou Mighty Atom, como era conhecido originalmente) para ser estreada em 2009, depois de demoradas negociações entre a Columbia Pictures e os herdeiros de Osamu Tezuka (mais detalhes sobre isso aqui), nada mais oportuno do que ver ou rever um dos mais bizarros 'filmes de plástico' dos anos 60 japoneses, uma das primeiras adaptações para o 'grande ecrã' (com 'gente de carne e osso' entenda-se) do super-herói mais querido do Japão.

Mais difícil do que encontrar informação on-line sobre este Astroboy Fuhrer ZZZ , um Live Action de 1962 (um concentrado dos episódios da série japonesa com o 'mini-actor' Sekawa Masato que representou Astro Boy na série de TV nos anos 60), será talvez encontrar uma cópia digital. Recomenda-se uma procura pelos sites de torrents, já que alguns fan groups disponibilizaram uma cópia (não legendada) desta pérola cinematográfica, que talvez acalme um pouco a espera para mais uma adaptação desta revisitação sci-fi da história do Pinocchio, que segundo parece será toda filmada em CGI.

Domingo, Abril 22, 2007

Monchy! Monchy!

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Depois de terem chamado a atenção de meio mundo com a faixa 'Shangri-La', que fechava os episódios da série de anime Hataraki Man, o trio Chatmonchy tornou-se agora a nova coqueluche do pop indie japonês, com um contrato na famosa label Ki/oon Records (a 'casa' das duas maiores bandas do indie japonês, os Asian Fung Fu Generation e os Supercar) que as tirou do limbo de banda de culto adolescente (com contornos muito semelhantes às 'ficticias' Paran Maum de Linda, Linda, Linda) e as catapultou para o estatuto de super-estrelas.

Uma percursão invulgar e forte, guitarras a lembrarem o tempo em que o indie ainda era fabricado na garagem e não nos escritórios das multinacionais e uma peculiar voz infantil, que divide as opiniões dos fans, as Chatmonchy tem um som jovial, emotivo e contagiante, que à primeira estranha-se, mas depois entranha-se até à repetição.

Se com o album de estreia "Chatmonchy has Come" (2005), conseguiram ganhar uma legião numerosa de fans, agora com o recente "Miminari" conseguiram conquistar o público mais mainstream nipónico, sendo actualmente uma das (merecidas) bandas sensação. A descobrir urgentemente.

Sábado, Abril 21, 2007

Most Wanted(1)

piratebay

Via Gpod

Um interessante artigo na Vanity Fair trás de novo à ribalta do público mainstream americano a telenovela que se tornou (e ainda a decorrer) o 'caso Pirate Bay', entre ameaças do lobby do entertenimento americano a um estado soberano (a Suécia), as tácticas policiais pouco transparentes para acabar com o célebre site de torrents e sobretudo as eternas questões levantadas através deste tipo de websites de file-sharing, que começam agora a questionar verdadeiramente qual é o real papel da indústria e os seus reais propósitos em relação aos consumidores.

Claramente algumas das questões que são levantadas por Steven Daly no seu artigo Pirates of the Multiplex são actualmente muito pertinentes e abonatórias ao 'serviço' prestado pelas pessoas que, embora decerto nunca terão a sua cara na capa da Time, mudaram (e continuam a mudar) toda a forma como entendemos o comércio dos produtos de entertenimento digital e, por arrasto, toda a cultura pop do início do século XXI.

Mais do que dar uma overview dos motivos de Gottfrid Svartholm e dos seus parceiros 'no crime', Daly relata a forma como a M.P.A.A. e por acrescento toda a indústria cinematográfica americana fazem um lobby poderoso para parar qulquer tipo de concorrência, legal ou ilegal, de forma não só a tentar proteger alguns do direitos que acha ter, mas sobretudo para tentar destruir qualquer resistência à sua injusta corrida para criar um monopólio americano do entertenimento digital. E é actualmente claro quem está actualmente a tentar dominar completamente as acções dos consumidores e fechará a Internet a qualquer actividade, mesmo que legítima e legal, a pessoas, organizações ou companhias que possam algum dia criar algo que possa fazer frente a esses mesmos monopólios.

Não deixa de ser profundamente irónico que a indústria americana que nasceu exactamente a fazer a mesma coisa que o Pirate Bay faz, quando à cerca de 100 anos atrás copiava e vendia cópias de filmes franceses pelo território americano, sem qualquer respeito pela propriedade intelectual e comercial de várias companhias da então próspera indústria cinematográfica francesa, que se esvaiu na falência enquando a indústria cinematográfica de Hollywood se consolidou financeiramente, tenha agora como principais inimigos gente como os miúdos por detrás do Pirate Bay ou os próperas empresas de pirataria residentes em território chinês, dando a imagem que essas são as 'forças do mal' que tiram o pão da boca à abonada indústria de Tinseltown.

Mas perante a cada vez mais evidente pouco clara como este tipo de indústria faz negócio e resolve os seus 'problemas', cada vez mais gente começa a ver estes mesmo opositores não como sórdidos e glutões piratas que querem fazer lucro a qualquer custo, mas mais como 'guerreiros cósmicos' (desculpem-me a piroseira) que vêm agora realizar uma espécie de retribuição Karmica, forçando a indústria a perceber que o público não é apenas um número no relatório de contas e que existe muita coisa a fazer de forma a agradar (ou subjugar) tão caprichoso cliente.

Independentemente de qualquer valor moral e legal, neste artigo está já levantado o véu de uma boa parte do que será a história da Internet num futuro próximo, quando o copyright será visto como o novo 'petróleo' mundial e as guerras on-line darão lugar a outras mais físicas e destruidoras.


Artigos relacionado: Em Terra de Cegos...(2)

O Calvário da Alegria

calvarionaalegria


Para aqueles afastados de Portugal à alguns anos, é sempre estranho deparar, quando ocasionalmente se leêm os jornais nacionais on-line, deparar com uma estranha e pessimista onda nostálgica que varre o rectângulo à beira-mar. Agora (finalmente) aparece um tipo de saudosismo que vale a pena apoiar, com o Máxime a tornar-se o centro 'do retro-tufão-português' para mostrar à pequenada os antigos heróis da canção. Depois de Cid, vem o Calvário, continuando uma campanha de 'reabilitação'. Aqui fica o press release das Produções Banana:


Notícias boas e bombásticas! O velhinho Maxime da Pr. da Alegria recebe o novíssimo António Calvário – O Rei da Canção! – para um espectáculo único, na noite de 28 de Abril!! Para o cantor de “Regresso” é um regresso ao palco onde já brilhou e encantou, num tempo em que a casa servia ostras e artistas de inigualável gabarito! António Calvário volta a ser nome grande num cartaz onde já figuraram Júlio Iglesias, Charles Aznavour, Rafael, Tony de Matos e ainda Hipólito Matateu, o «artista português» da pasta medicinal Couto!

O Rei da Canção fará uma viagem pelos seus grande exitos – “Oração”, “Regresso”, “Avé Maria dos Namorados”, “Tricana”, “Encontro Para Amanhã”, etc, e ainda brindará a audiência com algumas surpresas do seu novo CD “Volta”, acompanhado pelo seu conjunto privativo. António Calvário – provávelmente o maior cantor português de todos os tempos – mostra assim a Lisboa e ao mundo que não há voz que o tempo apague, e que o vigor com que deu várias voltas ao globo, de plateias a seus pés, está intacto! Embarque connosco neste cruzeiro do amor para uma viagem única e inolvidável, ao som da grande voz do Rei – António Calvário!

Sábado 28 abril 07 - abertura de portas às 22h . início do concerto às 23h30 . bilhetes €15 com oferta de bebida
cabaret maxime - pç. alegria, 58 em lisboa . reserva de mesas tel. 213467090 / 916351133
mais informações: tm 962804368 producoes@banana.com.pt
www.myspace.com/bananaproducoes

Frisson nos Ouvidos(1): Le Nouveau Jazz

novojazz

Nostalgia 77 - Songs for My Funeral (Tru Thoughts, 2004)
Radio Citizen - Berlin Serengeti (Ubiquity Records, 2006)

Vampiros Selectos(4): Le Frisson des Vampires

frisson

Com doses de culto tão grandes e fanáticas como as de profundo desprezo que alguns cinéfilos de terror lhe votam, Le Frisson des Vampires (1970), o clássico de Rollin é uma das obras mais estranhas do euro-sexploitation dos 70s, onde se fundem numa orgia camp desconcertante a repescagem estética de obras do género, as revoluções da década acabada (os 60s), os bizarros diálogos sobre lutas de classes entre vampiros e, claro, o puro exibicionismo de carne (feminina). Com um tom cinematográfico entre o estéticamente pretencioso e hilariante kitsch, esta é uma das obras europeiras mais interessante a ver ou rever e analisar por entre valentes gargalhadas, sobretudo se com a ajuda deste magnifico artigo do fan Iain McLachlan.

Domingo, Abril 15, 2007

Contos de Tinseltown

sunsetbl

Joe Gillis: You're Norma Desmond. You used to be in silent pictures. You used to be big.
Norma Desmond: I ... am ... big. It's the pictures that got small.

Um dos filmes mais extraordinários do século XX americano, aquele que , como notava Adrian Hennigan, not so much biting the hand that fed them as devouring both arms, their [Billy Wilder and Charles Brackett] gothic melodrama remains the bitterest attack ever launched on Hollywood. Poucas vezes o cinema americano mostrou uma orgia de zombies do celulóide, auto-destruição, diálogos tão cáusticos como ácido para desentupir canos e, sobretudo, puro vampirismo hollywoodesco como em Sunset Boulevard (1950). A consumir neste formato, acompanhado com uns valentes cocktail alcóolicos bem amargos.

Sábado, Abril 14, 2007

Anatomia de um Filme

anatomymurder

Aproveitando a revisão nesta edição em Dvd, aqui ficam duas interessantes leituras sobre um dos maiores court films de sempre, When Hollywood Came to the Upper Peninsula e a review de Anatomy of a Murder no Combustible Celluloid.

20 Anos

younggods
imagem: WOEBOT

Aproveitando o lançamento hoje do novo album dos Young Gods, decidi por a tocar cá por casa aquele que foi um dos mais decisivos albuns feitos na velha Europa para o rock industrial, quando nos idos 80's o trio suiço lançou o opus que definiria muita da música underground até aos dias de hoje, cruzando géneros e conseguindo um público diverso (bastaria assistir a algum concerto da banda até aos inícios dos 90s para entender que quase todas as 'tribos urbanas' estavam presentes na sala) que elevou rapidamente este album ao estatuto de culto.

Camadas abundantes de guitarras metálicas sampladas, orquestrações sinfónicas, batidas marciais e poemas malditos gritados em françês, numa massa sonora poucas vezes igualada em genialidade sónica: Young Gods, o primeiro album dos deuses suiços faz neste mês de Abril 20 anos. Parabéns aqueles que alguma vez o ouviram.

Segunda-feira, Abril 09, 2007

O Sentir do Vento

windstruck

Depois de mais uma revisão de My Sassy Girl (já passado por aqui), e à espera da estreia do mais recente do cada vez mais 'next big thing do cinema asiático' Jae-young Kwak, Nae yeojachingureul sogae habnida (aka Windstruck de 2004) é um daqueles filmes que terá de ser visto de uma forma obrigatória neste momento, quando Kwak se está a tornar um caso sério de popularidade cinematográfica, com as suas comercialmente histórias com um twist de cada vez mais rara inteligência cinematográfica.

Um realizador que parece estar sempre a filmar mesma história de perspectivas diferentes, Kwak consolida neste Windstruck todo o seu estilo, ao contar o estranho conto de encontros, desencontros, fatalismo e fatalidade, comédia vivencial e força de viver através de dois personagens muito semelhantes aos de My Sassy Girl, interpretados por Ji-hyun Jun (num papel idêntico ao da 'sassy girl', mas que faz perceber aqui de forma completa que, justiça seja feita, é uma das próximas actrizes asiaticas a seguir) e Hyuk Jang, num importante mas passivo personagem, sujeito aos caprichos da sua companheira.

Embora considerado por muito um filme inferior ao exuberante Sassy Girl, Windstruck é o mais completo filme do 'esquizofrénico' Kwak, onde mistura de forma bizarra a comédia de acção (de tendências 'policiais'), o melodrama chorão de telenovela mexicana e até o romance de contornos isotéricos para fazer um filme brutalmente sexy e engraçado, onde os sentimentos de dois personagens, não tão invulgares, são mostrados através de um exagero cinematográfico.

Num dos momentos mais inesperados do filme a personagem de Ji-hyun Jun, depois de um momento particularmente dramático, imita de forma idêntica a postura de Robocop(!) numa cena que parece ser decalcada desse mesmo filme, quase dando ao espectador o real estilo de Kwak, que mistura de tal forma a 'realidade' dramática dos dois personagens com as influências do cinema americano (de que Kwak parece ser fan e profundo imitador) em cenas perfeitamente descabidas e desconcertantes, criando uma mescla cinematográfica de contornos bizarros, que amplia ainda mais o clima de comédia romântica, algo de resto já sentido em My Sassy Girl.

Nesta orgia de mash-ups onde o dramalhão gordo, a acção escapista, mas também os sentimentos humanos mais reais e verdadeiros, se encontram em espantosas interpretações e numa realização aparentemente séria mas de autor, consegue-se sentir de resto que Kwak estará muito perto de se tornar um realizador cada vez mais estimado por uma fatia de público e cada vez mais 'odiado' e desprezado por outra igual fatia, uma marca de que parece existir aqui algo de realmente novo, embora de alguma ambiguidade, que parece marcar as obras de alguns novos realizadores asiáticos que se recusam, de forma visivel, serem encaixados nos actuais rótulos criados pelos críticos ocidentais em relação ao cinema asiático, rótulos esses seguidos por um 'público carneirada'.

Sendo um dos mais interessantes realizadores coreanos da actualidade, este filme de Jae-young Kwak merece desde logo uma visão com generosas discussões sobre a forma como este realizador, que decerto encontrará muito mais protagonismo na Europa e EUA num futuro breve, está a moldar a forma de fazer cinema, quando mimica a realidade misturando-a com 0 escapista storytelling do cinema comercial (sobretudo americano), cada vez mais uma constante nas vidas de todos nós que parecemos interpretar cada vez mais papéis sociais baseados em personagens da indústria do entertenimento, para redifinir o que poderá ser um possível caminho do cinema comercial.

Mignola Artifacts

screw-onhead
via Gpod

The Amazing Screw-on Head is the title of a one shot comic book written and drawn by Mike Mignola and published by Dark Horse Comics in 2002, starring the character of the same name. An animated pilot, based on the plot of the comic, was made by the Sci-Fi Channel in 2006 with Bryan Fuller of Dead Like Me and Wonderfalls fame as executive producer. The pilot may yet be turned into a series. While similar in tone and theme to Mignola's better known Hellboy, The Amazing Screw-On Head is a comedy.
in Wikipedia

In this hilarious send-up of Lovecraftian horror and steampunk adventure, President Abraham Lincoln’s top spy is a bodyless head known only as Screw-On Head. When arch-fiend Emperor Zombie steals an artifact that will enable him to threaten all life on Earth, the task of stopping him is assigned to Screw-on Head. Fortunately, Screw-On Head is not alone on this perilous quest. He is aided by his multitalented manservant, Mr. Groin, and by his talking canine cohort, Mr. Dog. Can this unorthodox trio stop Emperor Zombie in time? Does Screw-On Head have a body awesome enough to stop the horrors that have been unleashed? Where can we get a talking dog? All these questions (O.K., maybe not that last one) are answered by the thrilling tale of The Amazing Screw-On Head!
Pale Rider, in Gpod



The Amazing Screw-On Head no YouTube:
Part 1, Part 2, Part 3

Domingo, Abril 08, 2007

Lock and Loll! (4)

anadorei
Anadorei

Aparentemente um trabalho de dedicação pessoal e amor à camisola, o pessoal do badbee.net construiu um dos sites mais interessantes e completos sobre o actual rock underground japonês, com listagens completas de bandas, locais de concerto e editoras underground, com informações preciosas para os curiosos exploradores do actual panorama rock indie japonês.

Mais do que escrever sobre os 'suspeitos do costume' e nomes de bandas que já entraram até pelos ouvidos mais distraidos, o Bad Bee faz um esforço para 'desenterrar' o que de facto está a ser feito de novo, reunindo artigos e resources sobre algumas das bandas mais interessantes deste oculto Nippon.


high_teens
Thee 50's High Teens


Uma visita à página de mp3 do site permitirá ouvir uma amostra do que de mais espectacularmente fresco se pode encontrar 'localmente', oscilando as sonoridades pelo brutal punk-rock noise, curto e feio (mas sexy) das já desaparecidas 'rainhas' Anadorei, o neo-psicadelismo orientado por excelentes malhas de guitarras do All Tomorrow's Party, o all-girls-punk-rock das Thee 50's High Teens (que deixará contentes os fans das Lolita 18), o bizarro pop retro das Delicioussweetos ou uma das maiores bandas do actual indie nipónico, as actuais rainhas do Punk nipónico, as brutais e energeticamente 'satanicas' Red Bacteria Vacuum.

RBV
Red Bacteria Vacuum

Recomenda-se uma visita prolongada ao site a todos aqueles que gostam de descobrir algo diferente e novo na actual música nipónica.

Otaxploitation (3)

Ikkitousen_Dragon_Destiny

Chega a primavera e também mais uma época de numerosas séries de anime em estreia pelas TVs japonesas, com as intermináveis escolhas dos fans para tentarem decidir o que continuarão a ver durante os próximos meses.

De certo que algumas dessas estreias (com alguma sorte) terão por aqui algum destaque, mas desde logo destaca-se (muito pela negativa) o re-aparecimento de Ikki Tousen (que alguns deverão conhecer com o exploitativo e ridículo título de Battle Vixens) agora com a sequela Ikkitousen: Dragon Destiny, repleta das já costumeiras cenas de abonadas personagens femininas com trajes reduzidos em cenas de 'reveladora' acção marcial e milhares de detalhes superfúlos que decerto agradarão ao pessoal agarrado ao fan service...

Claramente um portfolio de 'fetishes animados' para consumo de fans deste género, Ikkitousen: Dragon Destiny é uma daquelas séries que ainda (aparentemente) não saiu de circulação face às novas tendencias da animação japonesa e que gera ainda hoje algumas confusões das cabeças de alguns ocidentais sobre o que é realmente Anime. Recomendada (sem grande espalhafato) apenas a entendidos deste género tintilante.

Classic Nouveaux

ratatat_classics

Depois de um 'pouco público' album de estreia que gerou generosas críticas positivas por alguns trend setters e que os fez percorrer o mundo em tournée com os Mogway, Mouse on Mars e Clinic, o duo de guitarristas Ratatat voltou em meados do ano passado com um album pomposamente entitulado Classics onde amplia a sua visão do papel do instrumento eléctrico com seis cordas.

Claramente um album que muitos daqueles que conheceram o primeiro album através do anúncio da Hummer H3 no Reino Unido estavam à espera com expectativas altas, Classics é também marcado por melodias com recorte electrónico cheia por guitarras a criarem ambientes que oscilam entre o cool electrico e quente 'neo-blues ambiental', por vezes com laivos bastante barrocos, mas perdeu o lado abrasivo e imediato do album de estreia, que pessoalmente continuo a preferir.

Mas este será decerto do interesse daqueles que continuam à procura de propostas novas que consigam (ainda) fazer um crossover interessante entre algumas tendências electrónicas e sons mais analógicos, entre os ambientes de dança indie 'selectos' e guitarras com sonoridades mais exóticas que o costumeiro cinzento do deprimente post-rock.

Quarta-feira, Abril 04, 2007

Riding Giant

hunterSthompson

Não sendo de forma alguma o que de mais interessante se fez a nível documental sobre a vida e a obra e Hunter S. Thompson (como a espectacular obra-prima documental Fear and Loathing in Gonzovision da BBC), Buy the Ticket, Take the Ride é no entanto um valioso documentário sobre um dos maiores escritores americanos do século XX (e um dos mais injustamente rebaixados e minimizados) e uma clara valiosa introdução à vida e obra da personagem, do ser humano e sobretudo do dois excelentes filmes que retratam a sua persona (refiro-me claro a Where the Buffalos Roam e Fear and Loathing in Las Vegas) .

Composto de diversas entrevistas a admiradores, amigos, colaboradores e fans reverentes, 'Buy the Ticket' consegue 'entregar' o que propõe, tentando deixar de parte muito do hype que rodeou a vida do escritor, para contar a história da vida do último dos rebeldes individualistas americanos, por vezes roçando o hilariante e com pontuais momentos emotivos, como os últimos segundos protagonizados por Harry Dean Stanton ao lembrarum dos seus melhores amigos.

Um documentário obrigatório para aqueles que querem começar a sua viagem de descoberta pela vida e obra de Thompson e relativamente interessante para os fans de longa data.

Bored Pre-Teenagers

tinymasters

We don't let them have a PlayStation, and they don't watch TV on school nights, so the band has just been a project of boredom, really.
David, pai do duo Tiny Masters of Today ao Guardian


Numa antecipação já à muito não sentida por nenhuma banda newcomer à alguns anos, muita gente à volta do planeta espera inquietamente pelo album de estreia de uma banda da Brooklyn que é composta por um miúdo de 13 anos e pela sua irmã de 11. Os Tiny Masters of Today são de facto a banda do momento, considerada genial por Bowie, idolatrada por Karen O, com Russell Simins dos Blues Explosion de Jon Spencer a 'implorar' para pertencer à banda e com os Flaming Lips ou as CSS entre os inúmeros amiguinhos que a banda tem na sua página no myspace.

É facil cair numa sarcástica postura algo distanciada e cautelosa de que isto será mais um daqueles items parvos que apenas serve para fechar com algum humor os telejornais e que para além da histeria fica apenas uma especie de actualização lo-fi punk rock daquele asqueroso miúdo que se vestia como o Quim Barreiros para cantar o 'bacalhau quer alho'... Mas para lá do hype, e embora o pó ainda não tenha acentado, uma mão cheia de canções que já circulam on-line mostram que isto é pelo menos os Tiny Masters of Today merecem muita mais atenção do que os tão valorizados mas ocos Yeah Yeah Yeah e imitadores que apareceram logo a seguir.

Claramente como no post anterior, estas erupções de juventude sónica precisam de ser observadas com alguma distância temporal, até porque não é a primeira vez que 'jovens promessas' destas não chegam a lado nenhum em termos musicais, basta pensar nas Smoosh apradinhadas pelos Death Cab for Cutie, que são interessantes o suficiente para fazer comichões nos tímpanos, mas que sofreram claramente com o hype que receberam. Mas a forma com que estes dois miúdos começam agora a encher a imprensa britânica, durante a sua tour pelo RU, com um ataque sónico de um brilhante lo-fi pop punk que retrata um singela e infantil mas bem evidente precocidade é inresistível. Ficamos à espera do resto.

Bored Teenager

Kate Nash


A avaliar pela fila à porta do Social em Nottingham esta noite, está encontrada uma sucessora de Lily Allen ou de Lady Sovereign, um tipo de produto algo virulento que leva a algum da press musical a dizer disparates entusiasmados sobre artístas que, mais tarde ou mais cedo, serão ignorados ou maltratados por esse mesmo meio de crítica dentro de alguns meses.

Desta vez saiu a sorte grande a outra adolescente londrina que, segundo a Vogue, capture the essence of teenage London life. Pois... Kate Nash lá vai misturando todas aquelas influências que actualmente os adolescentes gostam, tentando enfiar alho e bugalhos no mesmo saco, sempre com aquela pose indie de quem não tem nada haver com a miúda que trabalha na caixa registadora do Tesco.

Mas ouvindo o single ainda fresquinho "Caroline's A Victim/Birds", parece que não existem grande perspectivas para uma artísta que não consegue sequer acertar o beat no estilo lo-fi, ficando mais a imagem de uma teenager confusa que construiu uma imagem certa para um certo tipo de público que se considera independente sem arriscar, mas que musicalmente é vazio e onde o hype myspace parece fazer o resto. De resto não percebo onde é que o fascínio por bolos e pastelaria, como é desvendado na página do (já gasto e mainstream) myspace da cantora contribui para a carreira da jovem de 19 anos, e para a minha felicidade como ouvinte.

E de facto parece que este tipo de novidades conseguem captivar muita gente no calor do momento (basta ver algumas das críticas bastante positivas às Pipettes ou a Lily Allen na blogosfera, por volta desta altura no ano passado e no ano antes), mas dentro de alguns largos meses teremos mais uma 'estrela myspace em ascensão' enquanto esta mergulhará num futuro (artístico) incerto, talvez para a) começar a uma carreira a sério (sem gimmicks adolescentes parvos) ou, para b) apenas começar mais uma amarga caminhada pela fama que terá o seu auge na chuva de estrelas. Sem qualquer sarcasmo espero que seja a primeira opção... Mas a ver vamos.