Já se sabe que com o começo da nova temporada de séries de animação japonesa, durante o mês de Abril, começa um maratona cansativa por parte dos fans para visionamento de dezenas de séries, as trocas de impressões sobre os primeiros episódios e a caça de informação sobre a next big thing a assistir de forma a poupar visonamentos de tanta da palha que costuma surgir por volta desta época do ano. Cá por casa, e depois de 3 longas semanas de serões animados estão já escolhidas aquelas que farão as delicias dos serões dos próximos meses, e claro que o grande campeão das escolhas é o tão esperado comeback da Gainax, com uma das séries que poderá tornar-se um clássico de culto em poucos meses.
Tengen Toppa Gurren Lagann (qualquer coisa como "Break-Through Heaven Gurren Lagann" a acreditar na tradução da Wikipedia), que começou a ser exibida na TV Tokyo no início de Abril, tem TUDO aquilo que os fans desta produtora se foram habituando ao longo dos anos: Heróis idealistas equipados com mechas e armas invulgares, personagens tão bizarramente caricaturais como assustadoramente humanas, bikini girls with machine guns prontas a servirem as cenas de fan service, cenas de acção espectacularmente animadas e inventivas, doses de splatterpunk e cute suficiente para o 'menino e para a menina', sci-fi com um twist cómico hilariante, tantas vezes imitado, mas nunca igualado.
Quase um road-movie futurista, que casa de forma deliciosa os universo pós-apocalipticos do splatter punk com mechas com 'acrescentos' mecanicos bizarros (como a 'célebre' fálica broca que já esteve presente em Dead Leaves, a recordar algum sci-fi punk japonês dos 80s, com alguns fans de Tetsuo the Iron Man decerto notaram), Gurren Lagann vai acompanhando as aventuras de um grupo de misfits que vão tentando sobrevivendo na superficie do planeta, fugindo das cidades subterrâneas onde a humanidade está refugiada, confrontando a estranha raça de bizarros (e por vezes hilariantes) monstros que domina a superficie, usando para tal estranhos mechas que não necessitam de mais nenhum combustivel senão das pulsões humanas dos seus pilotos. Até aqui, está visto, nada de novo, mas a forma como tudo isto é empacotado, usando uma acção frenética combinada com a comédia mordaz e personagens que têm tanto de slick como de sexy, faz desta série uma das coisas mais interessantes a seguir, conseguindo logo no final do primeiro episódio gerar uma adição obsessiva que nos fará perder a cabeça até 'chutar' a próxima dose.
Desde logo gerando um buzz impressionante desde o primeiro momento em que foi anunciada, Gurren Lagann reune alguns dos nomes mais sonantes da animação japonesa encabeçados pelo realizador Hiroyuki Imaishi (Dead Leaves, FLCL), que parece apostado a baralhar e dar de novo todas as influencias contidas no universo já popular da Gainax, que não se rende às novas tendências da anime japonesa (como o excesso de 3D, por exemplo, muito sentido nesta e na anterior season), mantendo a sua 'escola' gráfica inconfundível, algo que de resto está já a gerar algumas críticas por parte da comunidade otaku e que devido a flaming excessivo no célebre 2channel, já fez rolar cabeças dentro da equipa de produção (mais pormenores aqui).
Mesmo com o crescente descontentamento dos fans, sobretudo notado depois do episódio 3 , que parece estar já a toldar o juizo de alguns espectadores, esta é decerto uma das mais interessantes e séries de anime do ano, aquela que, mesmo usando e parodiando os moldes algo gastos que usa para conseguir existir, consegue entregar o entertenimento mais completo, sem cair nas ambiguidades e nos momentos chatos que as outras estreias parecem já estar condenadas.
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Outras séries da season visionadas nas últimas semanas:Possivelmente interessante:
Lovely Complex: Comédia slice of life sobre os complexos de uma rapariga demasiado alta e um rapaz demasiado baixo, quem entre hilariantes situações de Amor-Ódio, descobrem que são almas gémeas. Genialmente engraçado e com uma artwork que, finalmente, não recorre nem aos antigos nem aos actuais clichés da anime... mesmo correndo o risco de se tornar uma série cansativa e com um feeling muito maisntream, vale a pena pela sua comédia de situações.
OverDrive: curiosamente uma das primeiras apostas, Over drive não consegue captivar, embora tenha todos os ingredientes para tal,com um excelente character design e artwork e um enquadramento narrativo de coming of age interessante (um miúdo que através de uma paixão de adolescência entra no competetivo mundo do ciclismo pro). Com uma animação sem grande força e com piadas que, embora inteligentes, não se conseguem 'agarrar' a uma acção pouco contínua... talvez a voltar mais tarde com alguma surpresa agradavel assim que os episódios 'abram' um pouco mais a história.
Bokurano: um Mecha Horror, bem mais sofisticado do que a maioria, mas com demasiadas pulsões apocalipticas entregues a um grupo de teenagers que têm que salvar o mundo através do que parece ser um videogame, que se vai tornando mais e mais uma realidade paralela... excelentes ideias base e artwork interessante. Talvez a seguir mais tarde.
Claymore: De forma alguma original, Claymore consegue captivar pela artwork de influência europeia e um quase sempre sentimento de dançar no fio da navalha entre o interessantemente novo e o eterno já visto que nos leva a perder tempo a ver todo o lixo que costuma ser lançado no início das seasons, à procura de uma série de jeito, de preferência que muda a vida do espectador... esta promete se a mais original e substancial série da season... a ver vamos.
Aconselhados:
Darker than BLACK: Agentes 'psychicos'numa Tóquio em ambiente noir. Inteligentemente bem feito, com interessante artwork, boas personagens e história intrigante. Os primeiros episódios abrem o apetite para mais disso.
Rocket Girls : uma pouco normal visão da já normal ficção cientifica no anime, com raparigas adolescentes a serem recrutadas para serem pilotos de teste em foguetões algures em ilhas exóticas cheias de nativos que correspondem a alguns clichés (pouco politamente correctos) do cinema exotica americano dos 50s e com situações que deixam transparecer um certo fascínio por algum do género de ficção científica B americana dos mesmos 50s, tudo embrulhado numa interessante artwork, com algum fan-service e excelente comédia.
Lucky Star: Genialmente engraçado, o pessoal que fez a The Melancholy of Haruhi Suzumiya volta agora ao ataque ao fazer a melhor comédia da season, onde os diálogos fúteis sobre coisas ainda mais fúteis tornam-se o principal objectivo de cada episódio, sem medo de explorar o absurdo... genial!
A evitar:
iDOLM@STER XENOGLOSSIA: Mecha que reflecte todo o universo das stepping stones do género, mas com uma interessante artwork e alguns twist slice of life (e muito fan service), com a direcção de Tatsuyuki Nagai, o realizador da segunda série do 'já culto' Honey and Clover. Mesmo dizendo isto, e depois de um primeiro episódio interessante, a fan service obscurece os propósitos da série e tudo se torna chato...
Kami-chama Karin: as costumeiras histórias cute de Magical Girl, com pets fofinhas e alguns traços de perversão... dispensável
Magical Girl Lyrical Nanoha StrikerS: a sequela de Magical Girl Lyrical Nanoha A's, uma daquelas histórias de miúdas adolescentes com armas kicking ass... um território desinteressante
Sola: Romance sobrenatural com as constantes pulsões Shounen, com raparigas não-humanas a serem perseguidas por caçadores de 'fantasmas' e a encontrarem simpatia num inocente adolescente... apenas interessante a fixação da personagem principal por nuvens em todas as suas variantes. O resto é francamente dispensável.
Monster Princess: mais clichés Shounen, com um adolescente a ficar com o destino escravo de uma perversa vampira... dispensável.
Murder Princess: bocejante história de uma bounty hunter que se torna por acaso a princessa de um reino em perigo... mau character design, má história, péssimo pace... será preciso dizer mais?
Heroic Age: existe algo aqui, embora com tanto CGI, piadas secas e franco character design que parece ser interessante... possivelmente são os mecha...
Ikkitousen: a evitar (ver este post)
Hitohira: Slice of Life sobre inseguranças adolescentes na escola de artes, Hitohira cai em estereotipos de personagens, mas o enquadramento narrativo (o clube de teatro), poderá gerar algo interessante, mas que não se perde nada se evitada.
Moonlight Mile: Depois de Flag e semelhantes tipo de séries com um twist demasiado 'real' sobre a realidade mundial, este Moonlight Mile vem consolidar este tipo de género 'realista' de aventuras, que não fazem de forma algumas as delícias cá em casa. Só para adeptos do género.
Winter Cicada: uma salganhada de história de época, caindo na análise história do Japão do início do século XX, misturando personagens tanto a adoptarem atitudes ocidentais, como a tentarem manter a sua 'niponicidade' no meio de uma história de contornos gay. Francamente irritante.
Deltora Quest: aventuras medievais entre Lords of the Rings e Record of Lodoss War, com um estilo gráfico old-school, recomendado apenas a fans do género.
























