Domingo, Julho 30, 2006

Para Quem É...

eureka

Há já largos meses atrás recebi pelo correio a versão em DVD da Atalanta Filmes de Yûreka (ou Eureka como é mais conhecido), o grandioso (e longo, 217 minutos de filme em tons sépia) tratado filosófico sobre a comunicação entre seres humanos realizado por Shinji Aoyama.

Haverá pouco a dizer de um filme que é aparentemente construido sobre algumas das questões mais centrais do humanismo filosófico, algo que parece ser algo constante em algum do actual cinema japonês (lembro-me assim de repente de Hinokio de Takahiko Akiyama ou do -já filme de culto- Taste of Tea, por aqui já comentado), e que consegue 'entregar' ao espectador um exigente estudo, revestido de uma aparente simplicidade, sobre a 'humanidade' da 'humanidade' (desculpem lá esta parvoice).

O que me parece ser salientável, e esta é a razão deste post, é a pobreza sem descrição desta edição da Atalanta. Entendia até à pouco tempo que esta editora/distribuidora fazia um serviço até certo ponto louvável ao vender ao público português alguns dos títulos mais interessantes do cinema internacional, tentando sempre ter preços relativamente acessíveis, isto embora se encontrem actualmente no mercado melhores edições e a preços inferiores de muitos desses filmes em dezenas de outros pontos de venda (sobretudo on-line) para aqueles que podem prescindir de ter legendas em português.

Mas actualmente a realidade editorial é muito diferente daquela que a Atalante Filmes (ainda) possui. Afinal já estamos muito longes dos tempos de euforia em que o DVD era uma novidade e qualquer edição reles conseguia captivar até o público cinéfilo mais exigente (a péssima qualidade do VHS assim o exigia).

Não entendo, por exemplo, esta estratégia de tentar vender como extras a selecção de capítulos para tentar esconder a falta de reais extras, algo que já não pega actualmente. E nem sequer gostaria de definir a qualidade dos menus desta edição, algo que sempre foi uma constante em muitas das edições desta companhia, que deixa muito a desejar. O facto é que qualidade geral desta edição é inferior a muitos dos DVDs que por vezes compro a £3 ou £5 (actualmente este filmes está a ser vendido a 15 euros, 10 euros na FNAC, se não me engano).

Mas o mais chocante será o facto de depois de ter estado durante várias horas deslumbrado com esta obra, tentando esquecer a já descrita pobreza de edição que me veio parar às mãos, para de repente ficar a olhar para um ecrã cheio de 'fantasmas de pixeis' e distorções de imagem e som nos últimos 2 capítulos do DVD! A custo tentei ainda ver o final do filme, mas o fúria de entender que isto era de facto um problema do DVD deixou-me fora do sério e estragou-me um serão até então perfeito. Afinal este era um problema que nem actualmente as mais manhosas cópias ilegais que se podem encontrar on-line têm, deixando-me a pensar quais serão de facto os frutos daquelas bacocas campanha anti-pirataria que costumam poluir os 'meios de comunicação social' em todos os países da CE.

Acontecerem situações dessas em 2006 parece-me ser extremamente grave e lesivo para o bom nome que a Atalanta Filmes ainda pretende ter. Uma revisão nas políticas editoriais desta editora é realmente necessária, isto se quiserem ultrapassar esse síndroma tipicamente português do 'para quem é bacalhau basta', entendendo mesmo que (a avaliar pelo preço do bacalhau) este DVD é de facto um carapau já muito mal cheiroso que não se oferece nem a um chato gato vadio a quem 'querem limpar o cebo'.

Ter uma edição onde as legendas são 'impressas' directamente no filme, sem dar liberdade de escolha ao utilizador o uso ou não das ditas é lamentável, tal como o é não terem pelo menos mais um set de legendas (em inglês ou francês por exemplo). E já agora, num plano mais técnico, terem um site sem frames também ajudava (será que alguma vez ouviram o termo accessibility, actualmente imperativo para qualquer companhia europeia que não seja de vão-de-escada?).

Espero que tudo isto seja dentro de alguns meses, uma coisa do passado, apostando finalmente esta editora em ter uma qualidade normal a todas as outras empresas de edição e distribuição de cinema europeias. Penso que de vergonhas desta já chega, mesmo que ainda passadas num país que, segundo 'ouvi dizer', está actualmente a acordar e que parece apostado (em teoria, embora que muito fala pouco faz), em oferecer serviços de qualidade (seja lá o que isso quer dizer), como resposta à exigências do actual mercado europeu.

Sábado, Julho 29, 2006

Consumismo de Sábado à Tarde (2)

kerorogunso

As 5 action figures da série Keroro Gunso, esculpidas por Katsuhisa Yamaguchi para a Kaiyodo. Uma compra valiosa na Page 45, uma das melhores lojas de comics do Reino Unido, sediada aqui em Nottingham.
Quando é que isto vai parar?

Sexta-feira, Julho 28, 2006

Londres, 1966

Twiggy

I looked through my camera and this face looked back at me and I turned round to Leonard [the hairdresser] and just went 'wow'. It was the effect of her looking back at me, I can't find the adjective to describe it. I think it was the eyes, she had such presence.

Barry Lategan, fotógrafo

Quinta-feira, Julho 27, 2006

What Would They Let You See When You Were Kids!

RandSLost

Para aqueles que achavam que alguns dos episódios exibidos do Ren and Stimpy roçavam o limite do bom gosto, saiu a semana passada nos EUA um DVD duplo com os chamados "Lost Episodes". Aguarda-se uma versão para region 2!

Segunda-feira, Julho 24, 2006

40 anos e 7 dias depois

ultraman

A 17 de Julho de 1966 estreiou-se no canal japonês TBS o primeiro episódio da primeira série do maior super-herói japonês de sempre. Durante estes últimos 40 anos, Ultraman lutou contra os mais viciosos (e risíveis) arqui-inimigos, foi copiado até à náusea (quer a oriente quer nos EUA), sofreu várias metamorfoses e foi (e é!) considerado um dos maiores icones pop do Extremo oriente, ao lado da Sailor Moon, da Hello Kitty! e claro Gorija (Godzilla para os amigos ocidentais).

A criação de Eiji Tsuburaya, um dos maiores mestres da história dos efeitos especiais mundiais e o criador do monstro mais conhecido no mundo já mencionado no parágrafo anterior ainda hoje vive, por entre as milhentas adaptações, versões pirateadas, items de merchadizing do mais bizarro possível que chegam a todos os pontos do globo (como a lanterna ultraman que comprei por 1 euro numa loja dos trezentos em Lisboa, por exemplo). Mas é sobretudo pelo amor incondicional de milhões de fans que o defensor da galáxia favorito aqui em casa se mantém ainda hoje como uma das figuras mais magníficas da cultura pop da segunda metade do Século XX.

Desde já mando daqui os parabéns com esperanças que daqui a alguns anos-luz consigam chegar à Nebula M78, quem sabe a tempo de se celebrarem os 50 anos.

Nnnnãããããoooo!... Outra vez?

killbill1


Pelos vistos, e a acreditar numa notícia no comingsoon.net, a saga (chaga?) Kill Bill está para durar, com Tarantino a andar por aí a dizer que está a planear fazer uma prequela da vida do Bill e uma para a Noiva. Bolas, confesso que apenas vi Kill Bill aqui a umas semanas (2 meses?) e entendi que tudo isto não passa de um capricho de um tipo que à vontade consegue fazer cinema de 'revisão', que pessoalmente já não consigo levar a sério.

Gosto do Tarantino de Pulp Fiction e de Jackie Brown, obras que considero excelentes na forma como revisionam muitos dos elementos da cultura popular que mais me agradam, mas fazer um filme de 3 ou 4 horas que mais parece um daqueles blocos de trailers das velhinhas cassetes de VHS com legendas amarelas (aka filmes de cinema do piolho), já me parece um excesso.

Confesso que vi o filme depois de uma noite de copos, a altas horas da noite e portanto isso poderá ter alguma influências. Mas assim que vi nos primeiros segundos de filme o logo de Shawscope dos Shaw Brothers percebi que teriamos umas valente horas de 'colagem artística' dos clássicos do cinema do piolho (facção Hong Kong) e mais uns clássicos de samurais que ninguém aparentemente conhece, muito por culpa da preguiça actual em não se pesquisar sobre filmes que não passem nas 'salas de cinema do costume'... e com uma banda sonora (irritante) a condizer.

Começo a detestar a forma excitada como Tarantino fala nos seus projectos, como se fossem uma espécie de resgatar do passado as coisas mais obscuras ao esquecimento, coisas essas que este benemérito traz a nós, o povo.

Não considero isso de forma alguma algo mau de todo (Lady Snowblood, o filme de onde foi tirado mais de metade de KB1, pelo menos passou a ser olhado como um 'filme a sério'). Mas claramente a pergunta que fica ao ver este filme é: E que tal fazer um filme a sério?

nota: o ponto alto de KB1 será de certeza a presença das 5.6.7.8's (que tinham direito a tocarem 3 faixas ao vivo para os extras do DVD que vi), que conseguiram provar que afinal não são assim tão boçais como a minha audição de Bomb the Twist me fez pensar.

nota2: por que é que será que Tarantino teve direito a ser falado no post 666 deste blog? Decerto uma coincidência.

Domingo, Julho 23, 2006

Pela Estrada Fora...

managers

Rendi-me a curiosidade de ver o novo filme de Fernando Guillén Cuervo. O meu fascínio por 'certo' cinema espanhol actual, descentralizado de Madrid e com um vigor magnífico, deve-se em parte à obra de Cuervo como actor e realizador (basta pensar em Airbag ou Año Mariano, realizado em parceria com o fantástico e imparável Karra Elejalde).

Mas ao contrário de Año Mariano, uma reflecção abandalhada sobre a religião popular ibérica com substâncias alucinogénicas à mistura, Los Managers não consegue chegar a lado nenhum. Tendo sido um dos títulos mais badalados dos últimos meses, sobretudo devido à banda sonora cutre e disparatada e à presença de um novo sex symbol espanhol (Celine Tyll,) o filme é apenas uma desilusão de como existem ainda muita palha no actual cinema ibérico.

De facto Los Managers parece-se mais uma das tentativas de comédia comercial feita em Portugal do que a obra deste humorista, actor, argumentista e realizador espanhol que sempre habituou o público a humor estupido e desbragado, mas com crítica social mordaz e uma altivez independente que faria inveja a muitos dos actuais realizadores do 'star system' ibérico.

A história anda em roda de dois falhados que conseguem um dia ser os managers de dois miúdos que costumam tocar num ferro velho, a que tentam à força tornar a next big thing lá da zona. Para tal, e com o patrocínio de uma baronesa da droga do cartel local, partem todos numa tour pelas aldeias perdidas no litoral sul de Espanha, sempre sofrendo algumas peripécias devido à rivalidade com um pouco escrupuloso artista "da cassete pirata" que parece apostado em esmagar qualquer concorrência. Pelo meio, um dos managers está apenas a usar a carrinha da digressão dos "Los Reis del King" (o nome do grupo!) para fazer o tráfico que era suposto ser a paga da generosidade da tal dona do cartel.

Embora nem tudo seja mau no filme, fica a sensação que não é este o road movie que Cuervo queria realizar, mas sim uma espécie de Airbag mais controlado e comercial, apontando para uma audiência mais lata, mas onde nunca no deparamos com aqueles momentos de brilhantismo encontrados a descrever de forma alienada o 'país profundo'.

O argumento, que na sua globalidade parece ser disparatadamente brilhante (como é já uma marca deste tipo de cinema de mezcla onde todas as cenas parecem querer fazer tributo à iconoclastia do cinema de culto) rende-se depressa a uma sucessão de gags pouco eficientes que nem sequer actores brilhantes (como o meu favorito Manuel Manquiña) conseguem salvar.

Fica apenas uma desilução na lista de filmes brilhantes (sobretudo comédias e terror) a sairem de Espanha actualmente, esperando-se um pouco mais das qualidades que Cuervo já mostrou anteriormente.

Sábado, Julho 22, 2006

Era uma vez na Espanha

El Lobo


Aproveitando mais uma exibição de um filme espanhol na Broadway aqui ao lado, fui ver o badalado "El Lobo" de 2004. É sempre um luxo ver um filme com Eduardo Noriega, sem dúvida um dos melhores actores espanhois da actualidade (basta ver dois dos mais emblemáticos filmes da 'nova vaga' do cinema espanhol, Tesis e Abre los Ojos, ambos de Amenábar), mas desde o início entende-se logo que este não é um filme onde o brilhantismo cinematográfico seja uma regra de estilo.

El Lobo é antes um daqueles produtos comerciais (até um certo ponto) onde de uma forma eficaz se conta a história (verdadeira) de Mikel Lejarza, um topo ao serviço dos serviços secretos espanhóis, que durante a primeira parte da década de 70 conseguiu infiltrar-se e chegar a lugares cimeiros dentro ETA e desencadear uma operação que levou à captura de 150 membros da organização em 1975.

Como thriller político, o filme torna-se extremamente absorvente (claro que os pormenores muito "ibéricos" ajudam, já que retrata os anos quando no 'país ao lado' se deu o 25 Abril e os anos quentes pós-revolução), com uma interpretação muito satisfatória da história recente em Espanha, conseguindo mesmo dar uma lição de história muito consistente e sem cair (a maior parte das vezes) naqueles dualismos característicos do cinema mais comercial. Aqui tanto os serviços secretos (ainda ao serviço de Franco, lembre-se) como os etarras são retratados como gente que não olha a meios para atingir a fins, mesmo sacrificando os idealismos 'oficiais' de ambos os lados. E mesmo alguma da ambiguidade na personagem de Lejarza, aos poucos desaparece quando se entra pela trama e se chega a um final algo 'limpo'.

É notado que existem muitos pormenores 'limados' e situações algo fantasiadas para a adaptação do livro que deu origem ao filme (afinal este é um produto comercial), mas o que fica é a forma interessante como é contada uma fatia importante da história europeia recente (e note-se que a ETA foi, tal como o IRA uma presença de várias décadas nos telejornais europeus), sem grandes pretenções cinematográficas e com algumas liberdades criativas.

Just Like Honey (2)

honeyclover2


Na noite em que Portugal perdeu as meias-finais do Campeonato do Mundo, o meu inconstante e cada vez menos sentido existencialista lá veio ao de cima e resolvi começar a ver a segunda série de Honey and Clover. A minha dependência desta série foi já descrita por aqui, e embora esta nova season já não consiga trazer muito de novo (talvez seja o factor surpresa que já esteja desabilitado), a 'coisa' continua a resultar de uma forma grandiosa, agora com um genérico sem comida (apenas no final se vislumbra algo que possa originar uma tour rápida ao frigorifico) e com a mesma hísterica (no bom sentido) Yuki a cantar o tema principal.

Agora que se espera pela versão live action (a acreditar em algumas notícias, terá estreia este verão no Japão), nada melhor que levar mais um banho que iniciação à vida adulta (afinal quase todas as personagens acabaram a universidade na primeira parte) e das suas ambiguidades e contradicções. Continuam os desencontros amorosos, as fabulosas alegórias existênciais e sobretudo a constante presença de comida, o encontrar de emprego e o tentar entender (em vão diria) da eterna pergunta "o que é que estamos aqui a fazer?".

A mais interessante telenovela em formato de animação continua assim a fazer parte dos serões cá em casa. Será que a Rika conseguirá alguma vez apaixonar-se outra vez? será que Hagumi deixará de ser aquela mascote pateta e conseguirá algum dia ter um comportamento seriamente adulto? E que dizer de Yamada? Será que consiguirá esquecer Mayama de vez? Veremos...

Sexta-feira, Julho 21, 2006

CSS: Confusão Sonoramente Sexual

CSS

Não conseguindo esconder a curiosidade, lá ouvi o album de estreia da banda-sensação brasileira CSS (Cansei de Ser Sexy). A coisa está a pegar aqui pelo Reino Unido, muito por culpa da até agora indiscutivelmente séria SubPop (que editou a banda e que agora parece estar a perder o juizo, basta ir ao site) e de uma tour bem sleazy, como dá para ver na foto acima, que vai chegar à Europa dentro de poucas semanas.

O facto de serem de São Paulo (a cidade mais europeia do continente americano) e de estarem a ser vendidos como um electro-punk semelhante às Cobra Killer, Peaches e semelhantes, fez-me jubilar com o actual bom gosto dos sleaze-heads dos clubes britânicos, que desta vez, parecia-me, tinham finalmente começado a tirar a cabeça do balde de merda em que estão enfiados, que os impede que ouvir 'sons estrangeiros' para além do euro-pop 'Ibiza style' de ir ao gregório ou aqueles sub-produtos alt.bossa.nova que normalmente são lançados por uns oportunistas algures no outro lado do mundo.

Claro está que esta boa disposição acabou logo nos primeiros 30 segundos da primeira faixa ("Fuck off is not the only thing you have to show"... pois...). CSS tem momentos muito fraquinhos, cheio de clichés electro-pop e por vezes soa a plágio à rainha do sleaze-electro (ter uma faixa chamada "Art Bitch" onde os jovens gritam "Suck my art tits" não ajuda nada).

Mas para aumentar a confusão algumas das faixas conseguem mostrar o brilhantismo que explica algum do hype ("Let's Make Love and Listen to Dead from Above", "Alcohol", "This Month..." e "Computer Heat" são um espectáculo de faixas), o balanço total é desanimador. Sobram alguns sorrisos trocistas, momentos de bater o pezinho ao ritmo e uma sensação que as vibes neo-românticas dos 80s estão de volta (aaaauuuugghhgh!).

São Paulo é indiscutivelmente um dos hubs mundiais, com uma cena rock forte, e claro está o CSS decerto não se devem sentir lá muito à vontade com o público rockeiro. Mas tentar replicar algo que está cada vez mais demodé, tentando-se enquadrar numa scene que já mostrou que é mais parra que uva, também não é solução.

Mesmo dizendo tudo isto (e desculpem se chateio alguns dos fans do colectivo, mas isto afinal é a opinião de um tipo que poucas vezes conseguiu achar piada a electro-pop, mesmo que indie), acho que o próximo será melhor, quando esta rapaziada correr o mundo e entenderem que já existe gente demais por esse mundo foraa replicar os mesmos clichés.

Enquanto à vida à esperança e ter um bando de desenfreados brasileiros a conseguirem ensinar os brits a dançar é sempre algo positivo! Mas lembrem-se, voltar aos anos 80 não é a solução.

Come Back Johnny!

brando

The Wild One de 1953 é indiscutivelmente uma das obras "menores" da carreira de Marlon Brando (isto falando de Cinema como Arte), mas sem dúvida é aquela que considero a maior e mais icónica presença do actor na história do cinema americano. É óbvio que esta minha opinião gera pouca simpatia nos fans de A Streetcar Named Desire, Waterfront e claro Apocalipse Now!, mas o que sempre vi em Brando como actor foi essa pulsão de rebeldia nihilista que a personagem de Johnny Strabler traduz.

Se existem filmes que conseguem ter uma influência quase absoluta nos clichés da street fashion, nos comportamentos adolescentes e em certas correntes de cinema desde a sua estreia até aos dias de hoje, The Wild One é um desses filmes, embora quase sempre ignorado pela história do Cinema. Na cultura popular, a postura de Johnny Strabler foi adoptada pelo Punk (sobre isso aqui fica um artigo interessante), ajudou a Triumph a vender alguns dos seus modelos mais populares (e muito merchandizing diga-se) e claro introduziu as Levis e os blusões de cabedal na Moda americana de uma forma popular.

O filme revelou o comportamento de alguns lone wolfs da estrada (recordo que o incidente relatado no filme é verídico até certo ponto e sobre isso "Hells Angels", a obra de Hunter S.Thompson é clara) que se tornou 'normal' em muitos segmentos da adolescência americana, muito retratada no cinema e que teve uma expressão clara até mesmo nos anos 80, basta lembrar Streets of Fire e sobretudo Rumble Fish, que poderá até ser entendido como um prolongamento de The Wild One. E se avançarmos para o campo do chamado cinema alternativo com ligações a icones homoeróticos a lista torna-se muito extensa (basta ver o magnífico Scorpio Rising de Anger para ficar com a ideia).

O impacto deste filme não pode ser diminuida a sua simples presença no cinema. A sua importância para a cultura popular é de facto tão pertinente que seria quase crime considerar este filme uma obra menor. The Wild One é uma daquelas pérolas a re-descobrir, numa época em que a sua edição em DVD se tornou acessível (a minha cópia custou £5!) e 'democrática', fazendo entender que alguns dos actuais revivalismos na música e nos fashions statements (e isso era claro o ano passado aqui no Reino Unido) não começaram nos 60s como muita gente ainda pensa.

E já agora fica o apelo, a Brando o que é de Brando, porque sem ele ainda hoje seria um 'crime' (social e de estilo) usar um blusão de cabedal na rua ou em qualquer transporte público.

Toon Sound Lab

Plus-Tech Squeeze Box


Uma das cenas que considero das mais geniais e "completas" da história do cinema de animação é aquela em que o Bob Hoskins e o Roger Rabbit entram pela toonland adentro, causando a hísteria das míriades de personagens que preenchem o rico universo da animação americana.

Para quem viu o filme decerto que essa será uma das cenas que ainda guarda na cabeça (a outra será claro aquela do "Is that a rabbit in your pocket or are you just happy to see me?"), muito por culpa da rapidez e loucura desenfreada com que os personagens se manifestam.

Os Plus-Tech Squeeze Box conseguiram durante os últimos anos traduzir este sentimento de loucura na toonland nos seus dois albuns, Fakevox (2000) e Cartoom! (2004), em disparatadas misturas feitas em estúdio que tentavam (com algum sucesso) misturar todos os géneros musicais, por mais opostos que fossem, numa orgia sonora debitada normalmente em rápidos soluços sonoros, de variações tão bizarras que tornariam Naked City um album linear.

Se os Pizzicato 5 revolviam toda a herança do lounge e easy listening europeu para criar um som fresco e dançável, de perfeição indiscutível, Hayashibe Tomonori e Wakiya Takeshi (com outros pontuais colaboradores), conseguiram fazer exactamente a mesma coisa nestes dois albuns, acrescentando a tal uma completa revisão da materia no que respeita ao sound design para animação, em tons constantemente experimentais e simultaneamente conseguir ser comercialmente apelativos, sobretudo para o mercado americano.

Arriscar a audição destas duas obras-primas é um exercício de bravura com momentos hilariantes e não deve ser evitada por aqueles que gostam naturalmente de animação e das tendências "íconicas" e efémeras da música popular nipónica.

Quinta-feira, Julho 20, 2006

Lock and Loll!

lockandloll

a) Uma recordação de um dos melhores albuns de selvagem rock and roll japonês (agora que os Guitar Wolf estão ainda em stand by):
Teengenerate:
Get Action!

b) Um dos mais bizarros power trios de rock and roll (japonês) de sempre (dois baixos, uma bateria, 3 vozes), com
um complex contrapuntal arrangements that Brian Wilson would have been proud of (segundo a editora do album, a TZADIK de John Zorn):
Ni Hao!:
Gorgeous

Aviso: a audição destes dois discos em volume alto poderá causar queixas dos vizinhos!

Sábado, Julho 15, 2006

Consumismo de Sábado à Tarde

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Um Maffy Cafe Mocha e uma caixinha dos Bearbricks série 11 (lá voltou a sair um Monchhichi, nunca mais consigo um pirata), ambos assinalados pela seta vermelha. A culpa é do stress profissional!

Sexta-feira, Julho 14, 2006

Som das Musas1: Bobbie Gentry

bg26

Bobbie Gentry é uma das compositoras/cantoras americanas mais esquecidas dos 60s e apenas vagamente lembrada por um dos singles country mais espantosos e misteriosos de sempre (e o single mais vendido nos EUA em 1967 e aquele que lhe valeu 3 grammy nesse ano), "Ode To Billy Joe".

Filha de imigrantes portugueses do Mississippi, Bobbie foi uma das compositoras americanas mais admiradas dos anos 60 pelos colegas de profissão e críticos musicais, mas infelizmente apenas lembrada pelo publico em geral como uma cantora one-hit wonder.

Desde o momento em que começou a cantar em bares de Palm Springs, para onde se mudou quando adolescente, até abandonar as 'luzes da ribalta' em 1978, Bobbie gerou um culto espantoso como uma das mais brilhantes 'cantautoras' que conseguiu fazer o 'single perfeito'.

A ode relata uma misteriosa história de suicídio com toques cinematográficos cantada de uma forma arrepiantemente sensual e trágica, que chegou a gerar um filme em 1974, tentando esclarecer as razões do misterioso suicídio do Billy Joe da canção e qual o papel da 'narradora' da história.

Pessoalmente acho que Bobbie, muito por culpa desta espantosa composição, representa ainda hoje para as sonoridades Country o que James Dean representou para o cinema dos anos 60: a total ruptura dos clichés de uma forma virtuosa, trazendo o country a públicos pop, algo afinal comum hoje em dia, mas que nasceu devido ao trabalho de pioneiras como esta.

Fan Sites:
Ode To Bobbie Gentry: A Tribute
Bobbie no Swinging Chicks

Discografia recomendada a futuros fans:
The Capitol Years: Ode to Bobbie Gentry

Nottingham04: Earache Records

earache1

Decerto que nunca passou pela cabeça de Digby Pearson (Dig para os amigos) que um dia seria uma das pessoas que mais influência teve nos actuais sub-géneros do universo musical antigamente rotulado na sua globalidade como Heavy Metal e que a pequena record label, formada e dirigida num quarto nos subúrbios de Nottingham, numa altura em que não existiam e-mails (para os "comuns mortais" entenda-se) algum dia seria uma das companhias mais sonantes na cidade do Robin dos Bosques.

Earache Records é a casa editorial do que de mais inovador, extremo e muitas vezes de mais mau gosto (sem ser depreciativo) se fez no Death Metal durante os finais dos 80s e toda a década de 90 onde foi inventado o Grindcore, tal como o conhecemos actualmente.

Dig foi o único a apostar num grupo de gazeados chamado Napalm Death, que tornaram-se em poucos anos uma das bandas britânicas mais influentes dos 80s, metidas no mesmo saco que os Jesus and Mary Chain ou os Smiths. Foi também a editora (pelo menos no início) de bandas como os At the Gates, Brutal Truth, os grotescos Carcass ou os confusos Cathedral, algumas das mais influentes e inovadoras do género (segundo parece 6 das 10 bandas mais inovadoras de sempre do Thrash/Death Metal são ou foram editadas inicialmente por esta label).

E até mesmo a scene vanguardista mais extremista de New York quis um pouco da festa que a Earache Records fazia a partir da cidade das midlands inglesas. Basta lembrar os louvores tecidos por John Zorn ao catálogo da editora que editou logo a seguir um dos albuns mais irreverentemente estranhos e simultaneamente comerciais deste músico (falo claro de Naked City).

Claro que editar alguns dos acts mais extremistas (e por vezes doentios) tem o seu preço, ou não fossem os infames Deicide e Morbid Angel algumas das bandas mais odiadas da história da música. Embora a editora mantenha um escritório em Notts, pelo que parece ninguém sabe onde fica e que sabe não parece interessado em partilhar tal informação.

Embora de forma algo discreta, a Earache faz já parte do património da cidade, acrescentado a um género musical de paixões extremas e ódios viscerais, escrevendo um capítulo na história da música popular do século XX, que ainda é muito pouco conhecido ou minimizado, talvez devido à pouca aceitação ainda hoje deste tipo de sonoridades, mas também porque simultaneamente muito do pop jubilante e cor de rosa das girls e boys bands britâncias nasceu e instantaneamente preencheu os tops da pop mundial.

Terça-feira, Julho 11, 2006

Shine On You Crazy Diamond!

Syd barrett


A BBC acabou agora mesmo de confirmar que Syd Barrett, um dos maiores compositores psicadélicos da Grã-Bretanha, umas das maiores influências do Rock e o 'sal' dos pré-73 insossos Pink Floyd, faleceu na passada sexta feira (dia 7), com 60 anos.

Os inúmeros fans de Barrett decerto que responderão hoje bem rápido à pergunta "Wouldn't You Miss Me?", feita no seu Best Of de 2001, com as mais sentidas homenagens aquele que escreveu e tocou, já em estado de demência, algumas das composições mais espectaculares que alguma vez ouvi.

Brilha já mais uma estrela no céu do Rock and Roll! Adeus Syd.


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Remember when you were young, you shone like the sun.
Shine on you crazy diamond.

Now there's a look in your eyes, like black holes in the sky.
Shine on you crazy diamond.

You were caught on the crossfire of childhood and stardom,
blown on the steel breeze.

Come on you target for faraway laughter,
come on you stranger, you legend, you martyr, and shine!
You reached for the secret too soon, you cried for the moon.
Shine on you crazy diamond.

Threatened by shadows at night, and exposed in the light.
Shine on you crazy diamond.

Well you wore out your welcome with random precision,
rode on the steel breeze.
Come on you raver, you seer of visions,
come on you painter, you piper, you prisoner, and shine!

Sábado, Julho 08, 2006

Nottingham03: Patchwork Grace

patchworkgrace

É engraçado como ao mesmo tempo que o anos vão passando, nós os 'adultos' vamos fingindo que não estamos mais velhos que as bandas que ouviamos eram a 'real thing' comparadas com os produtos 'empacotados' que por aí andam a tentar a vida. Todas as afirmações da frase anterior contém algumas prováveis verdades, mas para que nos chatearmos, quando o mundo avança e os miúdos encontram formas (frescas ou repescadas, não interessa) de fazerem algo interessante.

O facto é, e desculpem desde já este estilo de escrita confessional que parece saído do barato Sex and the City, que são os miúdos que estão agora a re-ouvir e a refazer aquilo que nós ouvimos e fizemos, encontrando formas excitantemente juvenis e naïf que nos fazem sorrir com a inocência destes rebentos que serão o futuro de uma sociedade seca e corporativa, de fato e gravata e com angústias para resolver, mas simultaneamente a desejar estar também na scene que eles agora acham a coisa mais interessante que poderia acontecer à Humanidade desde a invenção do fogo.

Sim, acho imensa piada ao numeroso grupo de neo-góticos com menos de 20 anos que se juntam regularmente na Market Square em Nottingham, que são já uma das atracções turísticas da cidade, e também acho engraçado entrar em qualquer umas das espantosas lojas alternativas de Mansfield Road e encontrar alguém ao balcão da loja a passar Dead Kennedys nos speakers, embora sem dúvida quando tal banda ainda existia o empregado ainda estaria a passar de testículo em testículo à espera da oportunidade de ser tornar um fan de Punk Rock.

Esta longíssima introdução serve para apenas louvar o vigor adolescente e a vontade de ser uma estrela rock de uma forma inteligente que os Patchwork Grace mostram. Quatro miúdos de Notts, alguns ainda com idade inferior para entrarem em certo clubs (aqui pode ser limitada a entrada até aos 25 anos!) resolveram fazer uma banda à cerca de um ano, mostrando a atitude certa para conseguir fazer algo com pés e cabeça e promover-se de uma forma inteligente.

É claro que ainda não editaram nada num 'formato físico', mas uma página no Myspace (neste post apenas vou louvar os benefícios deste veículo de promoção), uma mão cheia de canções (que não são nada de especial mas mostram já alguma vitalidade) passadas de leitor de mp3 em leitor de mp3, umas t-shirts engraçadas e sobretudo excelentes concertos, conseguiram transformar uma banda de putos petulantes na next big thing a sair da cidade do Robin dos Bosques.

A leitura que se faz deste pré-fenómeno (que espero ver muito brevemente ao vivo) é simplesmente a forma como alguém que vive os seus inocentes sonhos de adolescente de uma forma viva e comprometida, trabalhando duro para promover a banda com o dinheiro necessário para tal a sair dos próprios bolsos (ou dos pais) merece triunfar.
Basta ver o amadorismo de muitas ditas bandas profissionais, que cedem à preguiça de não se promoverem nem fazerem um esforço para não disfarçar a sua inaptidão mental de conseguirem fazer qualquer coisa pelos próprios meios (lembro-me de vários exemplos em Portugal, que nem sequer mereciam ter gravado um único CD e já vão no 3º ou 4º), e que ainda assim conseguem ser bajulados por uns fans iludidos, para entender que se os PG não conseguirem algum relevo numa cidade que já à décadas não tem uma banda conhecida nacionalmente, isso será injusto.

Enquanto escrevo, o culto gerado aos PG pelos neo-goths adolescentes na Market Square e os adolescentes trabalhadores de lojas punk rock corre já alto na cidade. Essa é a magia das paixões adolescentes que geram mitos como aqueles que nós com a mesma idade costumavamos consumar. E para completar a merecida vénia a esta adolescência com bom gosto no guarda roupa e na paixão que põe nos sons que ouve, representados por bandas como esta, espero agora que as t-shirts com o morango espiralado e os lyrics de "Zebra" (um dos 'hits' da banda) passados de orelha em orelha possam um dia também ser uma espécie de sinal turistico de uma cidade que tem vindo a sofrer tanta bad press, mas que consegue surpreender (positivamente) muita gente que ainda acredita na scene de Nottingham.

A Babe na Toyland

DaisyChainsaw
Entre 1990 e 1992 Katrina Jane Garside liderou uma das mais originais bandas (pelo menos esteticamente) inglesas e conseguiu gerar conseguiu gerar uma verdadeira revolução no rock independente ao gerar a figura de uma front woman sólida, destemida e desbocada que deu de facto origem ao pseudo movimento Riot Grrl de que Courtney Love, na sua pequenez (moral) que a faz pôr-se em bicos dos pés para conseguir alcançar algo, se apoderou para conseguir ser alguém.

A passagem de Garside pelos Daisy Chainsaw apenas durou pouco mais de 2 anos , mas a forma como mudou o rock independente através desta banda foi brutal, isto embora tendo sido muito pouco citados e credenciados. Afinal o que andariam hoje a fazer os Marilyn Manson ou as Hole sem esse acalcar de terreno que o devastador grupo fez, chocando e maravilhando os poucos que lhes conseguiram por as vistas em cima ao vivo, com o seu carrosel de infantilidade gótica e inocência chocante.

O mais engraçado de tudo isto é a importância visual que de repente o rock independente adquiriu através de símbolos femininos, isto sem qualquer propósito decorativo (algo novo na altura), marcando ainda hoje algumas vertentes da street fashion de uma forma realmente forte, ao contrário de fenómenos como o Grunge, que apareceu exactamente na mesma altura e que não mostra (visualmente) marcas consideráveis nos dias de hoje. Bandas como Curve, Sugarcubes, Bis ou Lush mostravam uma elevação femininista inteligente e algo pretenciosa, mas foi de facto Garside quem deu o primeiro passo para que hoje em dia existam de facto Front Women no Rock. Daisy Chainsaw e sobretudo a obra de Katrina Jane Garside (como artista plástica e cantora também nos Queen Adreena) é de facto algo a (re)descobrir!

Quarta-feira, Julho 05, 2006

Em Terra de Cegos...

billy bragg
Por aqui já se tinha falado no homem mais poderoso do mundo e da sua aquisição do MySpace. Agora parece que existe alguém que conseguiu (finalmente) fazer entender aos pobres coitados que pensam que algum dia conseguirão ficar independentes por usar esta forma de promoção que estão apenas a engrossar a fileira de explorados pelas multinacionais.

O que é o Billy está a bragging about? podem ler aqui!

... já agora, estou a pensar uma forma de não usar nem o Gmail e nem sobretudo o Flickr, onde todas as imagens deste blog são armazenadas. Sugestões são bem vindas!

Visões de Musas3: Jean Seberg

jean_1975


"Most of my movies were mediocre, but I was in one or two great ones."
Jean Seberg

Há 52 Anos...

elvis

... este homem entrou nos Sun Studios (706 Union Avenue, Memphis, Tennessee, segundo parece), gravou uma composição de Arthur "Big Boy" Crudup chamada "That's All Right" e transformou toda a música alguma vez feita pela Humanidade... Para o bem e para o mal, nasceu o Rock and Roll como hoje o conhecemos.

Domingo, Julho 02, 2006

O Album do Ano?

Gulag-Orkestar


No ano cheio de (boas) surpresas, conseguir ouvir um dos melhores albuns de estreia dos últimos anos, feito por um miúdo de 19 anos a viver em Albuquerque, que chamou ao seu projecto caseiro Beirut e que consegue sintetizar a espantosas sonoridades dos Balcãs com o melhor da pop independente e folk europeia num album imaculado chamado Gulag Orkestar, é um luxo.

Gulag Orkestar talvez não surpreenda (sonoramente) os fans dos Neutral Milk Hotel (Jeremy Barnes participa no album), mas há que reconhecer que desde o primeiro segundo até ao último este CD é um arrepio na espinha, com as suas embriagadas orquestras ciganas misturadas com cavaquinhos, violinos, orgãos, clarinetes tristes e a voz soturna de Zach Condon (o génio por detrás deste disco), a fazer lembrar um David Byrne em transe, cantando como um crooner com um pandemónio multicultural em backbround.

Na minha modesta opinião será muito difícil este album não ser o melhor do ano de 2006.