Quarta-feira, Junho 28, 2006
O Caminho de Walker
No passado dia 8 de Maio começou o Verão no Reino Unido. Depois de um longo Inverno e de uma Primavera que quase não existiu, a vaga de calor que deixou a maioria da população britânica muito bem disposta, colorida e extraordinariamente positiva. Nesse mesmo dia, depois de uma espera de 11 anos, que a 4AD lançou um dos albuns mais negros na história da lendária editora (e da actual música 'popular'), "Drift" de Scott Walker.
É realmente impressionante constatar que Walker, o maior cantor vivo da música do século XX, um veterano acostumado à fama (foi uma espécie de Boy Wonder, com um club de fans que fazia inveja aos Beatles), lançar uma album ainda mais ousado, negro e surpreendentemente inovador que Tilt, um dos opus mais negros dos anos 90, que torna The Downward Spiral do(s) NIN um exercício de easy listening inofensivo.
Engraçado trazer à baila o(s) NIN, porque Walker, que nutre uma admiração notável por Trent Reznor (e cujo trabalho teve uma influência determinante no som de Tilt), consiga agora dar o 'passo adiante' no 'caminho maldito' da actual música contemporânea, fazendo o resto do 'passeio' que foi interrompido depois de 1994, quando Downward Spiral deixou o desafio de perseguir tal via como algo demasiado ousado.
Walker, sem qualquer pudor, entrega aos seus fiéis fans uma fascinante e perigosa viagem pela 'via negra', apresentando as suas valsas weimarianas (de facto uma surpreendente actualização dos seus brilhantes albuns dos 60s, com profundas influências de Brell e da decadência dos cabarets), ritmadas por percursões industriais (!) e um profundo sentimento de nostalgia que mistura o romantismo fascista (aqui cuidado à leitura dada a esta palavra!) do início do século XX com o que de mais assustadoramente atmosférico poderá algum dia um ser humano expressar, muito por culpa de Paul Celan, de quem Walker é um admirador confesso.
Se um caminho semelhante (sonoro e poético) tinha já sido trilhado pelos Dead in June, Diamanda Galas ou Current 93, é com Drift, nas suas odes ao irmão gémeo de Elvis e a Claretta Petacci, que se assiste a um interessante e válido renascimento do verdadeiro som industrial/gótico ou seja-lá-o-que quiserem-chamar do século XXI, pela mão de um génio de 64 anos (!), que consegue ser o perfeito anti-iconoclasta sem ceder por um segundo aos clichés deste 'género', ao qual nunca teve qualquer ligação.
The Drift é de facto uma daquelas obras primas que decerto será esquecida naquelas listas patetas dos 'melhores do ano', mas que marcará (mesmo que demore algumas décadas... é disso que vivem as obras significativas, esquecimento o descobrimento) algumas das franjas mais negras da música alternativa daqui para a frente. Tenho dito.
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Terça-feira, Junho 27, 2006
TSF: Telefonia Sem Futebol
De à uns meses para cá tenho andando cada vez mais desanimado com a forma como a TSF se tem vindo a comportar com os seus fiéis ouvintes fora do território português, que usam o streaming do site para ouvirem programas com indiscutível qualidade.
Pelos vistos, e vamos ao que interessa, qualquer pessoa que tente ouvir on-line os jogos da Selecção Portuguesa (pelo menos fora de Portugal) é surpreendida com uma quebra de emissão (e um ingrato 'object not found' a aparecer no player) assim que começa a tocar o hino, isto mesmo quando esteve 2 ou 3 horas a ouvir a emissão e a levar com os insuportáveis delírios que os repórteres lá vão fazendo o favor de cuspir, entre os petiscos servidos pela comunidade portuguesa na Alemanha e as revelações de uma 'portugalidade lá fora' que muito sinceramente, pouco interessa a quem possa estar a ouvir a emissão e que tornariam o TV Rural uma programa interessante. O que é interessante é constantar que, 'milagrosamente', após 5 ou 10 minutos depois de o jogo acabar, lá retoma a emissão, agora com os delírios dos vários convidados que lá vão fazendo os seus "prognósticos de final do jogo".
Lembrando-me que ainda à pouco tempo foi passado o maior "atestado de bananice" aos espectadores portugueses (em Portugal), que nem piaram sobre o 'assunto' do post aqui linkado (e sabiamente comentado pelo Nuno 'Piu Piu' Barros), não me resta outra alternativa senão aproveitar dos direitos adquiridos que tenho em viver fora de Portugal e assitir a todos os jogos de graça, quer nos canais de TV britânicos de sinal aberto e na BBC on-line, ou ouvir o 'relato' nas diversas rádios on-line britânicas, que não se 'apagam' misteriosamente e que sofrem penalidades duras quando (não duvidem) falham perante o público generalista.
A todas estas escolhas que acabei de relatar no parágrafo anterior chama-se Poder de Escolha, algo que é livre, aberto, plural e sem qualquer monopólio. É pena que existam ainda na Europa alguns pontos geográficos onde tal se confunde com Luxo.
Sábado, Junho 24, 2006
Brooklyn, New York
"Dylan wrote “Like a Rolling Stone” when he was 24. I think he still considers that to be his best song. When I turned 24 I was like, oh shit! I gotta write my best song too. "
Jaymay , na entrevista à Deli magazine
Fanática por Dylan (o Bob), residente na Brooklyn, que olha quando bebe café no terraço (ás 9 am todos os dias segundo afirma), Jaymay será a próxima coqueluche no 'auto-denominado' Anti-folk (ou antifolk), que se apresenta finalmente de uma forma 'oficial' ao mundo com o EP "Sea Green, See Blue", decididamente uma audição imperdíveis para os mais curiosos sobre a nova folk.
Links Úteis:
*Jaymay no My Space
*Site oficial
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Brevemente Num i-pod Perto de Si 2
Não estando para se chatear com a má publicidade que recebeu no mockumentary DIG!, Anton Newcombe, o mau génio por detrás de uma das mais mal conhecidas mas influentes bandas na história recente do Rock (os Brian Jonestown Massacre, pois claro) resolveu disponibilizar TODA a discografia da banda para download em formato mp3, no site oficial da banda (!).
Decerto que, ao contrário dos seu eterno amigo e rival, Courtney Taylor-Taylor (o front man dos Dandy Warhols, com quem divide o protagonismo em "Dig!"), Anton não poderá ser alcunhado de vendido (alguém ainda se lembra do nome da faixa dos DW que rodava nos anúncios da Vodaphone?) ... mas esta jogada cheira muito à uma sede de protagonismo, parcialmente satisfeita com o aclamado documentário de Ondi Timoner, mas que deixou o homem ainda mais mal visto perante os curiosos que nao conhecem muito bem o trabalho dos Brian Jonestown Massacre. Mas quem somos nós para nos queixar deste magnífico gesto... Cheers Anton!
Brevemente Num i-pod Perto de Si 1
Constantemente esquecido e aparentemente possuidor de uma percentagem valente de 'má sorte' no que respeita à sua relação com a indústria discográfica, Simple Kid (verdadeiro nome: Ciaran McFeely) está de volta depois de 2 anos a ser enganado pelo manager (segundo afirma na entrevista ao Stool Pigeon deste mês), a trabalhar no videoclube, a ver o seu primeiro opus (um dos mais aclamados e simultaneamente desconhecidos albuns de estreia, intitulado apenas "1") a ser mal distribuido na Europa pela companhia discográfica (está no entanto à venda na Amazon americana a preços convidativos, passe a publicidade) e a passar 18 meses sem sequer tocar num intrumento musical.
O mais engraçado neste completamente desconhecido é que, agora que está prestes a lançar o seu segundo album e antevendo-se uma espécie de histeria pelo som de Simple Kid, toda a gente é quase que implicitamente convidada a não adquirir o seu album por 'vias não legais' já que pelos vistos a antiga editora já não tem posse no material do artista e simultaneamente Simple Kid já não ganha um tostão com algumas das cópias que possam ser vendidas.
"1" é uma daquelas péloras 'beckatianas' de DIY elaboradas num buraco, mas com uma super produção apaixonadamente elaborada por este one man band, que escreve e compõe de uma forma despretenciosa mas de maneira extraordinária. Este album valeu-lhe algum culto, uma aparições no Jools Holland´s e uma tournée bem sucedida, isto antes de ser completamente arruinada pela rapaziada de fato e gravata.
Agora que o rapaz está de volta, adquiram, seja lá como for, uma cópia deste magnífico album e idolatrem o maior poeta britânico do lo-fi e espetem com isto no vosso i-Pod antes dos vossos amiguinhos 'musicalmente esclarecidos'... vão ver que vale a pena.
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Quarta-feira, Junho 21, 2006
Altas Visões Sonoras
Embora possa parecer banal, é interessante entender que os Supercar são talvez a única banda japonesa que é relativamente conhecida fora do país e simultaneamente conseguer vender consideráveis cópias dos seus albuns no Japão, algo que normalmente nunca acontece. Basta observar que Pizzicato 5, Kahimi Karie ou Shonen Knife são nomes que ou são desconhecidos para qualquer adolescente ou jovem adulto japonês, ou são 'olhados de lado' (muitas vezes até prejurativamente) pelo público mainstream nipónico, para entender que não existe uma 'simbiose' entre o mercado interno e as exportações musicais.
Mas o caso dos Supercar é realmente interessante por conseguir fazer essa ponte entre os dois tipos de públicos (tão polorizadamente opostos), sendo quase certo dizer que são de facto a maior banda de rock independente nipónica dos últimos 10 anos.
Embora começado a carreira como uma tardia banda shoegazer nascida em 1997, 'imitando' os my My Bloody Valentine e os Ride, a banda conseguiu encontrar um caminho próprio com um magnífico exercício de fusão que é High Vision de 2002, uma das milestones do rock independente nipónico, quando a banda desenvolveu um som magnificamente composto e elaborado (muitas vezes comparado, erradamente, com o dos Radiohead), que chamou a atenção do público fora do Japão. Este album 'roda' cá por casa com alguma frequência, muito por 'culpa' da inclusão de dois temas brilhantes deste album nas bandas sonoras de Eureka 7 e Ping Pong (Storywriter e Strobolights respectivamente) que me fizeram ficar dependende da audição desta pérola perfeita da actual indie pop nipónica.
Não fico indiferente a algumas das críticas a este magnífico album, na maioria ocidentais, que 'viam' parecenças com o som dos Sigur Rós (de certa forma fundadas, já que as influências serão as mesmas) ou aos (aaauuuggggghhhh, outra vez) Radiohead, mas parece-me que os SC conseguiram de facto criar um universo pessoal, onde a fusão da electrónica de pendor dançável se mistura com guitarras arrastadas, os lamentos existencialistas de Koji Nakamura e a voz infantilmente inocente de Miki Furukawa. Claro que tudo aqui soa a 'qualquer coisa já ouvida em algum lado', mas esta fusão de eléctrico com electrónico nunca foi tão perfeita, nem mesmo durante os férteis anos 90 britânicos, quando a antiga geração do wall of sound shoegazer se virou para as máquinas e criou lindissimos opus sonoros.
High Visions é uma lição de produção sonora perfeita que fará qualquer indie guitar freak bater o pé ao som de caixas de ritmos techno e qualquer acidhead delirar com as malhas de guitarras mais sexy do pop japonês. 20 valores!
A Melancolia e a Integrated Data de Haruhi Suzumiya
Vários meses atrás, atrevi-me a começar a ver a série The Melancholy of Haruhi Suzumiya. Procurava nos supostos elementos slice of life da vida colegial desta série um 'prolongamento' da eficácia narrativa que adorei em Honey and Clover, mas felizmente enganei-me no tipo de produto e estou agora absorvido por uma das histórias sci-fi mais delirantemente bem escritas desde Serial Experiments Lain.
*spoilers*
É realmente estranha a forma como esta série consegue transmitir uma séria soma dos mais interessantes elementos da literatura sci-fi da segunda metade do século XX com uma astúcia avassaladora, mas usando uma linguagem juvenil, que recorre a constantes situações 'naturais' passadas num (invulgar) clube after school de uma escola japonesa, criado pela personagem Haruhi Suzumiya, para tentar caçar (sem grandes resultados) anómalias da vida quotidiana que possa resolver.
Para formar a sua SOS Brigade, (o tal clube), a excêntrica Haruhi recruta de forma pressuasiva 4 outros elementos que, embora sem saber, possuem todos eles as qualidades 'anómalas' que este estranho clube tenta encontrar na vida quotidiana.
Basta dizer que apenas um deles é realmente humano, sendo o resto do bunch um(a) agente humanóide de uma estranha agência galáctica de recolha de data, que tenta fazer com que não existam anómalias na realidade, uma viajante do futuro que vigia o curso do tempo de forma a evitar desvios e um estranho agente da 'Organização', que zela pela não-destruição da humanidade às mãos da caprichosa , mascarado de humano com poderes sobrenaturais. Apenas Kyon, o único humano do grupo, parece apelar à normalidade, com a sua 'voz da consciência' a comentar as acções mais disparatadas do chefe do grupo.
O mais interessante neste enredo é que todos eles travam uma luta sobre-humana para que Haruhi, com a sua vontade avassaladora em encontrar os 'tais factos' sobrenaturais, não abra um vortex de destruição capaz de arrasar com a 'realidade' e apagar o Universo.
*Fim dos spoilers*
Se tal parece realmente um delírio de qualquer escritor Sci-fi, tente-se juntar a tudo isto algumas das mais brilhantes piadas que a actual Anime consegue produzir, muito por culpa do errático e quase aberrante comportamento da personagem principal, com os normais elementos cheesy mais 'corporais' da animação para adolescentes e uma enorme desconstrução do que é realmente a Realidade, onde em fracções de segundos a acção passa do normal slice of life para as bizarrias clássicas da Anime Sci-Fi dos anos 80.
Mas a 'cereja no topo do bolo' será mesmo a total abstracção que esta série (tenta) transmitir ao ser apresentada ao público de uma forma estudadamente aliatória, onde os episódios não estão arrumados na sequência temporalmente 'correcta' (o primeiro episódio, considerado também como o episódio zero, é de facto o episódio 11 e o segundo é o primeiro e assim por diante), construindo (ou desconstruindo...) toda uma história que ao longo dos 14 episódios(será?)ganha cada vez um peso mais viciante para o espectador.
Esta série consegue ainda mais relevância para os fans da literatura, cinema e animação sci-fi devido às toneladas de referências a um dos mundos mais fascínantes da cultura pop do Século XX. As referências a séries como Gundam SEED, Full Metal Panic, Space Cruiser Yamato ou Macross são facilmente notadas, tal como os inúmeros livros que Yuki (a agente que zela pela integridade da data) constantemente lê, entre os quais se incluem clássicos como "2001 Odisseia no Espaço" ou os "Hyperion Cantos" de Dan Simmons.
The Melancholy of Haruhi Suzumiya é um enorme 'mastigar' da 'verdadeira tradição sci-fi' num formato bubblegum inresistivelmente Pop que consegue, de uma forma falsamente ligeira, reciclar os grandes temas contidos no género, algo que, por exemplo, The Matrix tentou fazer de uma forma mais 'séria', com resultados pouco consistentes e por vezes até risíveis.
Domingo, Junho 18, 2006
As Irmãs Catita (2): The Pipettes
Apostadas em trazer de volta os tempos anteriores à época em que "os Beatles estragaram a música pop", Becki, Rose and Gwenno, as manas (fictícias) Pipettes encontraram-se numa festa na lendária praia de Brighton. Vestidas às bolinhas (os nostálgicos polka dresses) e com coreografias sincronizadas com as da época áurea das Ronettes ou das Crystals, as três Pipettes (apoiadas em background pelos The Cassettes, três músicos que cobrem todo o espectro retro que as raparigas tão ambiciosamente tentam cobrir) estão discretamente a tomar conta do sempre presento mundo do retro-pop, alimentando-se dos fantasmas de Joe Meek ou do (ainda vivo) Phil Spector.
Sendo vistas como a 'next big thing', e lançadas por uma das mais promissoras labels indie actuais (a Memphis Industries dos manos Jacob), responsável pelo lançamento por dois dos mais interessantes projectos do ano passado (The Go! Team e Dungen), as Pipettes ainda estão a tentar provar que não são apenas um daqueles acts nostálgicos, que cada vez mais atraem as atenções do mainstream, mas que têm para lá de bold statments e vestidos às pintinhas alguma coisa de realmente interessante para dizer.
A avaliar pelo hype gerado pelo novo 7", lançado a semana passada, o circo apenas agora chegou à cidade mas os bilhetes já estão todos vendidos. Altamente recomendado aos nostalgic heads que não conseguem suportar a actual pop americana e aqueles que queiram vislumbrar o período de ouro da pop americana. Puro Pop!
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Actualização:
Pelos vistos apenas os 7" serão recomendáveis nesta fase. O album de estreia, We Are The Pipettes é a coisa mais horrorosamente pretenciosa e pirosamente 80s desde que as Bananarama resolveram deixar de cantar (embora a avaliar pelo site oficial a 'coisa' ainda mexe). Parece-me até que a produção do disco só usa clichés da pop dos 80s, escapando-se apenas algumas das faixas já revisitadas pelos singles, não se entendendo mesmo aonde ficou o 'tal' revivalismo 60s... haaaa já entendi... são os polka dresses!
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Sábado, Junho 17, 2006
As Irmãs Catita (1): The Tall Poppies
Apenas agora o album de estreia de Susan and Catherine, duas australianas imigradas em Londres, foi lançado na Europa e já as irmãs (gémeas) são consideradas a next big thing da pop nostálgica pelo Reino Unido. Pelos samples que se podem ouvir à solta on-line, o LP 'Thursday' (2005) das Tall Poppies é um daqueles produtos nostálgicos que vive de uma pop passada, quando tudo era mais simples e imediata e com o sabor original... um bocado como aquelas maçãs que comiamos quando eramos putos e que decerto, se ainda existissem à face da Terra, não passariam a standandização a que a fruta é agora submetida.
O primeiro video-clip, para a faixa "Time Machine" (um título apropriado ao som das manas Poppies) revela um desejo frenético de revisitar esse passado, com faixas sumarentemente cheias de simplicidade sexy e sonhos adolescentes cantados por gente com idade de ter juizo, mas que só nos fazem o favor de continuarem a cantar os sonhos de infância de que nós já nos vamos esquecendo.
Ainda está para ver se as Tall Poppies conseguirão manter este 'tal sabor das velhas maçãs' ou se apenas mantiveram a casca brilhantemente vermelha por debaixo da carne sem sabor das normais excursões nostálgicas à pop dos 60s. Mas avaliando 'Thursday', o sabor está lá todo. Recomendado!
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Visões de Musas2: Corinne Marchand
Cléo de 5 à 7
Cleo (Corrinne Marchand) is a beautiful, spoiled, self-obsessed pop singer. As the film opens, she is having her fortune told by a tarot reader, who is startled to discover death and cancer in the singer's immediate future. Cleo is quite upset, as she is waiting to meet with a doctor to discuss the results of a medical examination. The remainder of the 90 minute film chronicles Cleo's afternoon, from the time that she leaves the tarot reader until her appointment at the hospital two hours later.
Cléo de 5 à 7 is very much a film about perception — about looking and being looked at, and the warped sensibilities formed when worth is based solely on appearances. In that sense, it also seems to be very much a woman's film (and one ripe for the Laura Mulvey treatment). This is most obvious in several scenes when Cleo is walking through crowded streets. Vardas cuts constantly to Cleo's POV, using documentary-like footage of faces turning their eyes toward the camera. As a male viewer raised on the voyeuristic thrills of male filmmakers, it's a disconcerting experience — feeling all of those eyes on me. The implication is that such an existence has disfigured Cleo's self-image and stunted her emotional development. Vardas contrasts Cleo's superficiality with the level-headed confidence of her friend Dorothee, a nude model who finds joy and satisfaction in her body, but not pride.
in Long Pauses
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Visões de Musas1: Kiki de Montparnasse

L'Étoile de Mer, Man Ray (1928)
Man Ray's film l'etoile de mer was adapted from his friend Robert Desnos's poem "la 'place de l'etoile". The title of Man Ray's film means the starfish. To Man Ray the star fish represented the embodiment of a lost love. Both Desnos and Man Ray thought that the starfish "inhabited liquid depths as well as heavenly reaches." This was very surrealistic thinking that appealed to Man Ray's affinity for vague objects.
The film stared his wife Kiki as the female lead and because of this the film can be called somewhat autobiographical. It is about a woman (Kiki) and a man who drift apart from one another. One of the most interesting aspects of this film is that it was shot through a sheet of glass which helped to emphasize the nature of the romance between the two lead characters, which was thin and fragile. Starfish also make plenty of appearances throughout the film. Every time there was some sort of conflict there would be a starfish somewhere on the screen. L'etoile de mer expressed Man Ray's doubts about being able to hold onto Kiki. In the end his worries proved to be true, as he and his wife separated just after the opening of the film in Paris.
Ryan Doyon, 1998
L'Étoile de Mer está disponível para download, cortesia da fantástica Ubu Web.
Kiki de Montparnasse na Wikipedia
Selected Gallery de Kiki de Montparnasse
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Quinta-feira, Junho 15, 2006
Gaijin Tokyo
Adam and Joe Go Tokyo! foi um daqueles cometas televisivos que, embora curto e sem sequelas, marcou uma presença de culto na TV britânica, devido às 'estrondosas' visões de Tóquio, uma das hub cities mundiais que ainda retém para os britânicos uma aura de bizarria e mistério.
Os 8 episódios da série apresentada pelos comediantes Adam Buxton e Joe Cornish em 2004 entre Maio e Julho de 2004, revelados pelo hilariante e perversamente infantil Adam and Joe Show, mostram muito do que na altura ainda era algo desconhecido para uma população muito centrada na cultura anglo-americana e algo ignorante em relação a outros pontos do mundo.
Bandas como os Plus-Tech Squeeze Box, Guitar Wolf ou Polysics ganharam uma legião de fans algo numerosa aqui pelo RU devido ao programa e artistas como os comediantes Tetsu and Tomo, Osakana Kun (um hilariante especialista em peixe !) ou o inventor Dr. Nakamatsu ainda lembram momentos hilariantes de televisão aos britânicos mais niponaticos (bela conjunção de palavras... já agora alguém se lembra do termo certo?), já para não falar de Shinichiro Watanabe (o criador de Cowboy Beebop ou Samurai Champloo), que de repente viu toda a sua obra editada por cá devido à sua participação em Animatrix.
O culto gerado pela série é ainda bastante evidente (existem inúmeras unofficial pages como esta) com momentos imperdíveis e hilariantes (como a desesperada busca dos dois comediantes pelo seu momento de fama no Japão, que os fez formar uma banda chamada Gaijin Invasion, que chegou a actuar num dos canais musicais na capital nipónica) e uma visão algo distorcida da realidade da cidade e dos seus mais peculiares habitantes.
Mesmo sendo uma constante procura de bizarro, muito feita à medida dos gostos televisivos britânicos e cheia de alguns 'lugares comuns' e mal entendidos, Adam and Joe go Tokio! é um shot brutalmente engraçado da actual cultura pop japonesa e decerto que será do interesse de muitos dos que vivem num frame of mind onde as formas de expressão culturais japonesas geram curiosidade.
E mesmo para aqueles entendidos que entendem que esta visão dos gaijin é sempre unilateral, não deixa de ser uma revelação a forma simpática como Adam Buxton e Joe Cornish conseguem fazer algumas revelações interessantes... a assistir de forma feliz depois de uma busca desenfreada por uma torrent 'algures perto de si' e a esperar que algum dia o DVD seja finalmente lançado.
Domingo, Junho 11, 2006
Pouco Notório e Menos Notado

The Notorious Bettie Page, já por aqui referido, estreado em Abril deste ano (embora oficialmente o filme seja do ano passado) ainda não deu à costa em qualquer cinema europeu (pelo que entendi), ainda não foi lançado em DVD e a crítica de cinema na Europa simplemente ignorou o filme.
Bem sei que a crítica americana não poupou o filme de Mary Harron (realizadora de American Psycho e I Shot Andy Warhol), mas decerto que será interessate a empresa produtora do filme (Picture House, ligada à TimeWarner) conseguir trabalhar pelo menos ao nível de eficiência de qualquer produtora sem dinheiro, promovendo pelo menos com alguma vontade os seus filmes de uma forma decente deste lado do Atlântico. Ficamos á espera.
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Made in Portugal #2
As 8 canções de Linha Geral (Ama Romanta, 1989) foram editadas numa capa de cartão apenas com o logotipo da banda carimbado a vermelho na frente e uma fotocópia das letras manuscritas no seu interior. Os seus breves 20 minutos e picos são pautados por uma urgência e ansiedade constantes e a música comete a proeza de não dispensar um pingo de energia do seu objectivo fundamental concentrando-se nas canções (curtas e magníficas, sem excepção, terminando quando têm de terminar) na disciplina de conjunto (que não admite floreados nem adornos) e na engrenagem admirável dos executantes a milhas de distância de outras bandas da altura.
Um disco precioso e intenso que alia com igual entusiasmo o optimismo com o incitamento à revolta, a celebração exultante com a fatalidade iminente. Em português. Ainda hoje mete no bolso a chorona geração de 90 com os seus pontapés no inglês e a fancaria de plástico com que imitam os subprodutos anglo-saxónicos.
In Música Portuguesa Anos 80
Domingo, Junho 04, 2006
Quanto Mede a Felicidade?
Vi finalmente 20 Centímetros, a segunda obra do mais louvado cineasta da nova geração espanhola, Ramón Salazar, aproveitando o mini-ciclo de cinema espanhol numa das salas de cinema do Broadway (uma espécie de cinema King em Nottingham).
Usando um formato considerado morto, Salazar realiza um dos maiores musicais pós-modernos de que há memória na Europa, contando (ou tentando) a vida de um travesty que vai fazendo dos trabalhos ocasionais e da prostituição uma forma de juntar dinheiro para cortar os vinte centímetros de carne que dão nome ao filme, enquanto tenta equilibrar a vida de todos os outros personagens que a (o) rodeiam, como o anão com que divide um apartamento, que está obcecado em conseguir tocar o violoncelo herdado de uma tia, ou as colegas do ofício que tentam de uma forma desenfreada manter a cabeça à tona de água no sórdido mundo da prostituição madrilena.
Para aumentar a confusão, Marieta (Mónica Cervera, uma das maiores actrizes revelação dos últimos anos em Espanha) sofre de narcolepsia, adormecendo nas situações mais inesperadas, enquanto sonha com números musicais perfeitamente coreografados, que tanto 'piscam o olho' à época de ouro dos musicais como se apropriam de linguagens usadas para re-inventar o género, o último exemplo dos quais terá sido (talvez) o pavoroso Dancer in the Dark.
Nota-se que Salazar se perde pelo filme, tentando gerir a herança 'almodovariana' em que é encaixado, com as sua comédia barroca e caústica (momentos existem em que nem sabia se rir ou chorar, como na cruel cena de discussão entre Marieta e o anão Tomás, desemprenhado com brio por Miguel O'Dogherty), mas simultaneamente tentando gerir o filme de forma a revelar uma moral da história idealista (o que não é aqui entendido com algo mau, diga-se) e com um final feliz (de resto merecido, embora pouco real infelizmente).
Os números musicais são de facto de esplendor (o de abertura revela alguma genica que decerto agradaria ao Filipe La Féria), apenas com alguns pontos baixos (onde não se entende se serão sérias imitações tipo Broadway pós-moderna ou se apenas é a veia sarcástica do realizador), mas é de forma inequívoca pela representação omnipresente de Mónica Cervera que consegue agarrar os pontos mais baixos do filme, tornando-os magníficos apontamentos de cinema ibérico, com a sua pose de nova heroína do cinema indie Europeu, magnífica quer nos momentos 'masculinos' como no mais profundo feminino que a personagem consegue mostrar.
Se existem momentos algo hesitantes, onde tudo parece ir cair no saco do 'cinema de género Gay', Salazar consegue 'brincar' com os elementos queer e transportá-los de uma forma (até algo mainstream), sem desvirtuar os sentimentos dos personagens, mas sempre adicionando comédia á fatalidade, de uma forma revivalista (Almodóvar outra vez), mas combinando linguagens cinematográficas variadas num filme extremamente contagiante.
20 Centímetros é um dos novos documentos do cinema europeu a ter em conta, agora que é cada vez mais certo e claro que o cinema espanhol desde meados da década de 90 se tornou um dos melhores, mais interessantes e versáteis da Europa. Ao realizar um filme assim, é obvio que Ramón Salazar conseguirá ascender ao patamar onde se coloca agora Alejandro Amenábar, se conseguir evoluir desta poderosa comédia sentimental para algo mais narrativo e sem comprometer o forte lado visual com que brinda os espectadores desta obra.
Recomenda-se desde já e sem preconceitos aqueles que gostam do 'novo cinema espanhol', ou aqueles que ainda vão a tempo de descobrir um dos mais fascinantes cinema europeu actual, com traços absolutamente ibéricos e sem mostrar fascínio pelos lugares comuns que enchem o actual cinema europeu.
(a propósito... alguém se lembra do filme e realizador onde figuravam vários travestis lisboetas?)
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Invasão e Evasões
Alguns expecimens de uma misteriosa raça de sapos alienigenas foram largados no planeta Terra para realizar uma sangrenta invasão e a total escravização dos seus habitantes. As coisas não correram lá muito bem e o cabecilha do grupo acaba por ser feito prisioneiro por dois adolescentes japoneses, que irão aos poucos demonstrar ao Keroro Gunso (tradução literal: Sargento Sapo) o verdadeiro espírito humano, onde a amizade mas também a alienação da actual vivência urbana, o que vai atrasando a invasão ao planeta, devido às contantes distracções do Sargento, mais interessado em montar gundam do que reunir o exército largado pelo planeta.
Em linhas gerais esta é a storyline de Keroro Gunso, uma das séries mais hilariantes, mas também polémica, criadas nos últimos anos no Japão, com uma raça de sapos alienigenas, que oscilam constantemente entre o profundo desprezo pela raça humana e a total' integração social' amigável nas famílias que os escondem de olhares indiscretos, de forma a pouparem as criaturas a possíveis experiências científicas.
Envolto em alguma polémica, Keroro Gunso começa logo no genérico a lançar brutais farpas aos sonhos imperialistas japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, usando uma marcha militar, com uns lyrics a descrever os absolutos e contantes falhanços do dia-a-dia de milhões de japoneses completamente imersos numa sociedade tecnologicamente superior, mas que não conseguem resolver os problemas mais simples e práticos da vivência quotidiana.
Embora hilariantemente divertido o genérico gerou algum mal estar em muitos dos nacionalistas japoneses e num plano exactamente oposto alguns dos povos que sofreram a ocupação japonesa (como a Coreia do Sul, onde a série também está a ser exibida) não gostaram de voltar a ver a bandeira imperial japonesa (actualmente banida) como background para um grupo de sapos com os bonés militares japoneses que marcham ao som de uma marcha militar a fazer lembrar os hinos imperialistas cantados pelas várias forças do Eixo durante este conflito mundial.
Polémicas à parte, Keroro Gunso é um bestial compêndio de cultura popular japonesa, que nos seus numerosos episódios (mais de 100), através de um humor físico (por vezes de contornos sexuais) e usando inúmeras referências 'queridas' ao universo otaku, um pouco como a magnífica e incompreendida série Pani Poni Dash! (já refererida por aqui), numa misturada POP que parece querer, entre outras coisas, resolver certos fantasmas da história japonesa do século XX, através do uso da sátira a um dos momentos mais cruéis da história da humanidade.
Altamente recomendado aqueles que procuram 'sociologicamente' entender algo mais sobre a cultura japonesa que não aparece nas mais badaladas séries de anime pelo ocidente, muito mais preocupadas em criar 'universos alternativos', ou apenas aqueles que procuram uma valente gargalhada com uma das séries mais sublimilarmente sarcástica do actual universo da Anime.
Sábado, Junho 03, 2006
... And Now for Something Completely Different

É inegável, quer se goste ou não, o peso que The Rocky Horror Picture Show tem na cultura popular. Nem vale muito a pena tentar provar isso, basta fazer uma pesquisa rápida para se entender o que nasceu com este filme.
Alguns dias atrás a 20th Century Fox lá se 'deu ao trabalho' de assinalar o facto de um dos filmes mais influentes na cultura popular na segunda metade do Século XX fazia 30 anos, lançando uma caixa que inclui também a menor sequela do filme, Shock Treatment, nunca lançada oficialmente em DVD região 2, segundo consegui perceber.
Para além da reacção positiva, esperada, dos fans europeus (eu incluido) ouve um backlash de muitos fans americanos que não viam grande necessidade do lançamento desta caixa, sendo um item que teriam que comprar (como verdadeiros fanáticos), mas que não trazia nada de novo em relação à 'mítica' caixa que celebra os 25 anos.
Pois tal é um facto, mas a 'envergonhada' 20th Century Fox, que não é nenhuma organização de caridade, desta vez lá contemplou os numerosos fans europeus, embora isso possa chatear alguns fans americanos. E francamente, perto das multidões de re-lançamentos e re-re-lançamentos natalícios das mesmas banhadas de sempre (quantas re-edições de Forrest Gump, Matrix ou outros filmes comprados no supermercado existirão por esse mundo fora), porque não de 5 em 5 anos lançar um mimo a fans novos e velhos?
Sexta-feira, Junho 02, 2006
Weapons of Mass Distraction
Ainda mais um artigo sobre 'big guns', desta vez despoletado devido a um comentário do pipo, sobre action figures num post anterior. Como dizia nesse comentário (e muito bem), o hobby é filho do excesso de tempo da sociedade contemporânea e de o homem adulto poder ocupar o seu tempo livre.
Descobri à poucos minutos, enquando andava a tentar perceber o que se andava a passar na blogosfera espanhola entendi que um dos assuntos mais usado em posts escritos em castelhano terá sido as imparáveis actividades de Sabrina Sabrok, uma pin up da Argentina, que em Novembro passado enfiou 7 kilos (!) de silicone numa parte do corpo que poderá ser observada na imagem acima. Parece que nos últimos dois meses as aparições televisivas da senhora na TV espanhola terão feito as headlines, deixando de lado os actuais assuntos do dia, que são a crise energética e as relações no Medio Oriente. Basta lembrar que esta actual recordista do silicone (a anterior, Lolo Ferrari morreu, segundo parece, asfixiada durante o sono devido às leis da gravidade) tentou provar aqui à umas semanas atrás nas Canárias que conseguia flutuar dentro de água apenas com ajuda das suas 'amigas' sintéticas (o artigo pode ser visto aqui).
Confesso que uma das minhas preocupações actuais no hobby das action figures (não estou a ser irónico) é o uso de, precisamente, desse derivado do petróleo que é a silicone, um bem precioso que terá que ser substituido neste segmento do 'mercado de entertenimento'. Essa preocupação de resto tem sido bastante invocada por alguns criadores dessas mesmas figures, para tentarem experimentar novos materiais (como a pasta de soja, believe it or not).
Embora tenha uma opinião algo dividida em relação a estas transformações (afinal é um desperdício, mas por outro lado cada um faz o que quer com o seu próprio corpo), decerto que os apêndices da senhora Sabrok dariam para muitas figures e isso parece ser um desperdício de recursos do planeta. Mas o que mais me intriga é a permanente distracção que este excesso de tempo da sociedade contemporânea trás de benéfico a personagens destas, para o bem e para o mal...
(o título deste post foi palmado noutro blog que não me recordo o nome)
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